English Version

AO LONGO DO ESPAÇO

30/08/2016

A questão do movimento inspira mostra surpreendente em Milão

Na física clássica, movimento pode ser definido como a variação da posição de um objeto em relação a um dado referencial. Como decorrência, acabou sendo associado também a ação, animação, agitação. Ou ainda, de forma mais ou menos figurada, ao conjunto de princípios proclamados por determinada linha de pensamento, agremiação política ou escola artística.

Interessada, desde sempre, em expandir o raio de ação do corpo humano, para a gigante norte-americana de artigos esportivos Nike o movimento é questão central. Em seus tênis, roupas, equipamentos e acessórios, ele surge como resultado direto da sinergia entre forma e função. Um trabalho que demanda permanente pesquisa, mas, igualmente, abertura para novas ideias e campos.

Como aconteceu, por exemplo, por ocasião da última edição da Semana de Design de Milão, em abril, quando a marca, pela primeira vez participando com evento próprio, brindou público e crítica com uma das mostras mais surpreendentes da temporada: The Nature of Motion, ou A Natureza do Movimento, magistralmente apresentada em um antigo galpão industrial ao sul da cidade.

Um exercício de livre criação, no qual designers e artistas foram conclamados a criar instalações – de ordem conceitual ou prática – tendo como tema a ideia do movimento. Cada um em um nicho específico, posicionado em meio a um labirinto de equilíbrio instável, delimitado por paredes feitas de caixas de sapatos empilhadas. “Para nós, pensar o movimento é uma preocupação constante. Pensamos em atletas que estão constantemente em movimento, mas também em criar novas linguagens, novos desenhos e, por que não, novos problemas para a Nike resolver”, pontuou o vice-presidente da marca John Hoke.

“Frequentamos a Semana de Design há muitos anos, sempre olhando e observando, até que sentimos que era chegado o momento de não apenas vir e testemunhar, mas de vir e participar”, afirmou Hoke, satisfeito com o sucesso da iniciativa, a exemplo de outras grandes marcas internacionais que este ano marcaram presença nos eventos paralelos.

Reafirmando seu fascínio pelos materiais naturais – especificamente rocha e madeira –, que ele costumeiramente molda em móveis quase brutos, o inglês Max Lamb foi um dos que optaram por uma leitura mais conceitual da questão do movimento, construindo uma instalação surreal onde blocos de alumínio e mármore pareciam levitar sobre uma base de ar comprimido, que se movia ao mais leve toque, desafiando a percepção convencional de massa e peso.

Já 0 holandês Bertjan Pot, impulsionado por sua curiosidade natural por técnicas têxteis, tomou a roda, um símbolo de força e movimento, como ponto de partida para a criação de uma série de pufes infláveis, realizando um encontro eficaz de técnicas de tecelagem artesanais e materiais de ponta, tendo como base câmaras de ar de diferentes tipos de veículos – de carros a tratores – e redes trançadas à mão com cabos de Nike Flyknit.

Um material empregado pela marca na confecção de cabos, alças e cadarços, que, no caso do britânico Sebastian Wrong, outro nome em ascensão no cenário internacional, se transformou em “pele” e serviu como tecido de revestimento em uma poltrona de seis lugares, de linhas esculturais e estrutura de ferro oco, pensada, segundo o designer, para enaltecer valores caros ao futurismo italiano, tais como modernidade e o dinamismo.

Influenciadapor formas que encontra na natureza, a designer norte-americana Lindsey Adelman, que vive e trabalha em Nova York, também pensou em luz para evocar o movimento. Explorando a tensão visual que resulta da mistura de vidro soprado com elementos de metal feitos à máquina, compôs galhos iluminados que oscilavam continuamente, ecoando movimentos de uma árvore ao vento.

Difusores feitos com Nike Flyknit podiam ainda ser encontrados nas luminárias de grandes dimensões criadas pelos italianos Enrica Cavarzan e Marco Zavagno, do estúdio Zaven, que trabalharam sob a inspiração de um atleta em ação. “Reflexão, luz e sombra são elementos que podem aprimorar o movimento humano no espaço. Natural que fossem lembrados”, salientou Zavagno.

Matéria publicada pelo jornalista: Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 12 de junho de 2016

1° FOTO. Móveis criados por Bertjan Pot a partir de câmaras de ar e rede tensionas

2° FOTO. A poltrona de Sebastian Wrong, revestida por uma pele de Nike Flyknit.

3° FOTO. As luminárias galho de Lindsey Adelman, que vibravam em intervalos aleatórios.

4° FOTO. Detalhe do tramado que revestia os pufes de Bertjan Pot.

5° FOTO. As luminárias over size de Enrica Cavarzan e Marco Zavagno inspiradas nas ações dos atletas.

6° FOTO. Blocos de alumínio e mármore pareciam flutuar na instalação criada por Max Lamb.