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TAMANHO FAMÍLIA.

26/07/2016

Pensando e construído por um time de profissionais que inclui o irmão e o pai do proprietário, o sobrado saiu na medida dos moradores: um pouco caloroso, um pouco ousado, muito caprichado.

A fachada ficou clean, sem ornamentos, muito devido às molduras das janelas, desencostadas da alvenaria. Funcionam como abas de concreto: amparam internamente as esquadrias e, fora, agem como pingadeiras, evitando que a chuva manche as paredes. Repare como a lateral direita da casa parece leve, quase um anexo: quem passa por ali imagina que a moradia se resume ao bloco à esquerda. | Crédito: Foto: Pedro Vannucchi.

"Tempos atrás, comprei dois lotes na cidade onde moramos, Itapeva, SP, pensando em construir. O plano era distante. Até começarem a aparecer ofertas tentadoras (estava cada vez mais raro achar uma área tão grande no local). Acabei vendendo. Com o dinheiro, arrematei um outro terreno, de 360 m², no mesmo condomínio fechado, e me capitalizei para enfim encarar a obra. Foi aí que as conversas com o meu irmão, um dos sócios do escritório paulistano Coa Associados [integrado por Gabriel Cesar, Cassio Oba Osanai e Eugenio Amodio Conte], foram parar no papel. Minha mulher e eu sabíamos do jeitão dos nossos arquitetos, mais contemporâneo, enquanto preferimos algo clássico, rústico até. E, incrivelmente, não foi difícil conciliar os estilos. Eles nos escutaram com atenção e já no primeiro estudo trouxeram uma solução mesclando tijolos aparentes e estrutura metálica. Gostamos na hora, imaginando que seria funcional e aconchegante.

Destacamos a importância de um ambiente de estar amplo, janelas grandes eespaços de lazer bons de usar tanto no inverno quanto no verão. Assim surgiu a sala integrada à cozinha por um balcão de concreto e que também se conecta com achurrasqueira e a piscina nos fundos do sobrado quando está tudo aberto. Oscilamos entre manter apenas a cozinha principal e dispensar essa outra, de apoio, mas, por gostar muito de cozinhar e receber os amigos, preferimos assim.

Imagino que a liberdade de falar abertamente com o meu irmão contribuiu para o projeto que acertou ‘em cheio’, mas o Gabriel não foi o único interlocutor: alguns aspectos eu discutia com ele; outros, com os demais sócios.

A outra etapa importante da história se deu com a chegada do meu pai. Depois de se aposentar, ele virou um construtor de moradias populares na região – e topou erguer a nossa. Indispensável contribuição. Trouxe uma equipe ótima, visitava o canteirodiariamente, fiscalizava tudo. A parceria dele com os arquitetos foi perfeita: juntos, descobriram fornecedores excelentes nos arredores, a quem ensinavam a fazer rigorosamente o solicitado – você sabe, o repertório de muitos não incluía soluções moderninhas.

Mesmo assim, levamos dois anos e meio na empreitada, o possível para as finanças da família. No fim, ainda me deixei seduzir por acabamentos caprichados e ultrapassei em 30% o estimado. Nada de arrependimentos, vi como ficou melhor assim. Com suas linhas retas, a construção ainda hoje destoa do entorno. Positivamente, acho, só ouvi elogios. A festa de final de ano reuniu a todos confortavelmente, mesmo no calorão, e estamos planejando outros encontros agora que o frio chegou. Já deu para notar como é quentinho aqui dentro."

Tempo bom em Itapeva, SP, e a enfermeira Liliane e seu marido, o dentista Rodrigo, ocupam a área externa da casa onde moram com os dois filhos. O tijolinho palha (ao fundo) foi escolhido pela tonalidade delicada para revestir as paredes de alvenaria.

As boas ideias deste projeto: 1. Nesta e na lateral oposta, há janelas (quatro folhas de correr) totalizando 7,5 m de comprimento: garantia de ventilação cruzada e luz natural; 2 O forro foi pensado considerando as medidas das chapas de compensado naval (25mm) folheado no padrão imbuia e com verniz PU, dispensando cortes e ajustes; 3 O banco de concreto armado acomoda visitas. Fica diante de um jardim elevado dotado de espécies ornamentais e pedras, solução que estabelece um microclima e evita deixar ali só um corredor lateral. (Foto Pedro Vannucchi).

Tudo Claro: gesso lisinho dá o acabamento interno ás paredes. Até as portas foram pintadas de branco em nome da leveza. (Foto: Pedro Vannucchi).

Rodrigo inventa algo para comer – o passa-pratos diante dele uma cozinha à área de lazer externa. No piso, um prático porcelanato que imita cimento. O forro de gesso embute a iluminação, guiada pela automação residencial, assim como áudio e vídeo. (Foto: Pedro Vannucchi).

Sobre parte da sala e da garagem fica a varanda – um mirante para a cidade -, montada com metal e laje do tipo steel deck (composta de telha de aço trapezoidal e concreto). O espaço inclui um balcão com pia. Para atenuar o calor, entrou em cena o pergolado de ripas de garapeira (detalhe de fixação ao lado). (Foto: Pedro Vannucchi).

A fachada ficou clean, sem ornamentos, muito devido ás molduras das janelas, desencostadas da alvenaria. Funciona como abas de concreto: amparam internamente as esquadrias e, fora, agem como pingadeiras, evitando que a chuva manche as paredes. Repare como a lateral direita da casa parece leve, quase um anexo: quem passa por ali imagina que a moradia se resume ao bloco a esquerda . (Foto: Pedro Vannucchi).

Na sala de TV, os caixilios de alumínio anodizado vão do piso ao teto e têm a parte inferior fixa. (Foto: Pedro Vannucch).

A implantação ao longo do terreno reúne boa parte dos serviços no bloco metálico e os espaços íntimos e sociais no volume de alvenaria e tijolo. Área: 295 m², Projeto e acompanhamento: Coa Associados; Esquadrias Excellent; Automação: Foneplan; Elétrica; Engemas; Marcenaria MF; Paisagismo: Real Garden. (Ilustrações: Campoy Estúdio).

Matéria publicada na revista Arquitetura & Construção em julho de 2016.