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GESTO NATURAL

19/07/2016

Entrevista Paulo Mendes da Rocha

O arquiteto Paulo Mendes da Rocha acaba de receber o Leão de Ouro, da Bienal de Arquitetura de Veneza (o evento vai até 27 de novembro), pelo conjunto de sua obra. Laureado com o prêmio Pritzker de 2006, o mais importante da arquitetura, e ainda em plena atividade, seu nome permanece um dos mais influentes do cenário internacional, sobretudo entre os jovens profissionais.

Apesar de mais ocasional, sua porção designer é igualmente significativa. Em particular pela síntese de elegância e simplicidade que consegue imprimir a suas criações. Virtudes evidentes, por exemplo, na poltrona Paulistano, produzida para equipar o ginásio do clube de mesmo nome, projetado pelo arquiteto em 1957, que, desde 2009, integra o acervo do MoMA, de Nova York. “Não faço distinções. As coisas precisam ser desenhadas”, afirmou ele nesta entrevista exclusiva ao Casa, poucos dias antes de embarcar para Veneza para a entrega do prêmio.

Qual a importância hoje das bienais internacionais da arquitetura?

Elas só fazem sentido à medida que se propuserem a discutir as cidades e menos assuntos especificamente ligadas aos projetos, que são de interesse mais restrito. Em diferentes ordens e escalas, as cidades são assunto de interesse global. Discutir o futuro das cidades é, portanto, uma questão premente e o interesse do público pelas bienais de arquitetura vai depender desse enfoque.

O senhor frequenta a Bienal de Veneza? Quais suas expectativas em relação ao evento?

Estive em Veneza na a 7ª edição da Bienal de Arquitetura, em 2000, quando tive o prazer de dividir o espaço da representação brasileira com João Filgueiras Lima, o Lelé, e a experiência foi muito gratificante. Agora viajo a Veneza mais no papel de observador, mas as expectativas são grandes.

Como se deu sua aproximação com o universo do design? Em especial com o desenho de peças de mobiliário?

De forma natural. Como resposta a necessidades claras, que procurei equacionar da melhor forma possível. Quase como um gesto. Não faço distinções. As coisas têm de ser desenhadas quer se trate de um imóvel ou de um copo, e é importante que o desenho final reflita essa questão inicial. Quanto mais natural e lógica for a resposta, melhor a qualidade do design.

Matéria publicada pelo jornalista: Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 29 de maio de 2016

1° FOTO. Arquiteto Paulo Mendes da Rocha.

2° FOTO. Poltrona Paulistano.

3° FOTO. Edifício Guaimbê, projeto residencial de 1965, na Rua Haddock Lobo.