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UNIVERSO PARTICULAR

14/06/2016

Avesso a definições, o arquiteto Guilherme Torre exercita seu estilo em apartamento em Alphaville

Ao convidar o arquiteto Guilherme Torres para assinar o projeto de reforma e decoração deste apartamento de 248 m², em Alphaville, na grande São Paulo, o casal de proprietários já sabia que o resultado teria poucos elementos tradicionais. “É algo que não sei como explicar, simplesmente acontece. É um universo que, para mim, não se encaixa em nenhuma regra”, diverte-se.

Neste projeto, as etapas de reforma e decoração se misturaram, ou melhor, caminharam juntas desde o princípio da obra. O apartamento, um pouco mais escuro do que casal gostaria e com pé-direito baixo, tinha a planta bastante segmentada, o que resultou em uma reforma que o arquiteto considera já é um clássico. “Executamos o que fazemos na maioria das obras atuais: remodelamos os ambientes. Incorporamos varanda, abrimos mão de um dos quartos – agora são três suítes – para aumentar a sala e integramos a cozinha”, explica.

Enquanto obra acontecia, a primeira peça de mobiliário da casa já foi concebida a executada pelo arquiteto: uma mesa de mármore de Carrara incrustada em uma das vigas de sustentação perto da cozinha. “Logo que entrei no imóvel notei que a construção tinha vigas gigantes que não teriam como ser disfarçadas. Resolvi assumi-las e usá-las a meu favor, e a estética do projeto acabou partindo disso”, diz o arquiteto.

O pé-direito baixo, antes um ponto negativo do imóvel, favoreceu o desenho usá-lo para abrigar um elemento gráfico e funcional. “Percorremos os espaços com eletrocalhas que passam pelas vigas e suportam a iluminação, voltada para o teto, feita dessa maneira para justamente reforçar a ideia de rebaixamento”, comenta.

Para o piso, o arquiteto buscou unidade no uso do revestimento, instalando porcelanato italiano em tom azulado em todo o apartamento, sem exceções. As portas da área social, embutidas na parede, são de policarbonato, uma estratégia usada para que mais luz chegue a todos os ambientes. O mesmo material foi usado no painel que separa a área social da íntima.

“O hall de entrada é sempre um lugar com pouca luminosidade. Nesse caso, usamos uma porta de vidro para resolver o problema.”

Ao final da reforma, a moldura de um apartamento de estilo contemporâneo estava pronta. A primeira obra de arte comprada pelo casal, um grafite do artista plástico brasileiro nunca trouxe cores, como o vermelho vibrante que se espalhou também para o tapete escolhido para o estar.

O que veio depois é para o arquiteto um exercício de uso de cores sem medo, para fazer algo do lugar um espaço vivo. Na cartela usada neste projeto, vermelho, azul, laranja, verde e roxo se espalham por todos os lugares, em tons vibrantes e suaves. “Não existe motivo para se limitar ao óbvio. Os pontos de cor se desdobram e citam elementos que enriquece visualmente o ambiente. Aqui, a base clara que criamos era um prato cheio para diferentes tons e texturas. Por que não aproveitar?”

Solução na iluminação

O pé-direito baixo deste apartamento determinou o rumo da iluminação do projeto. Isso porque rebaixar o teto com um forro de gesso para embutir a iluminação faria com que os cômodos perdessem ainda mais altura. “Em um imóvel deste tipo, optar por perder mais espaço não me parece uma solução viável. Ainda mais tendo possibilidade de fazer a iluminação com dutos aparentes e trazer mais personalidade aos ambientes”, diz o arquiteto Guilherme Torres.

Para fazer uma instalação elétrica aparente, antes é necessário planejar o layout e ter todos os pontos de interruptores, tomadas e terminações determinados. Para isso, conte com a ajuda de um especialista em elétrica. “Aqui, usamos a iluminação estrategicamente voltada para o teto, mas é possível direcionar pontos de luz para peças consideradas interessantes na decoração”, explica.

Para fazer esses trilhos, geralmente são usados conduítes de aço galvanizado, canos, eletrocalhas, tubulação e tomadas metalizadas. “É uma linguagem contemporânea bem-vinda, ainda mais quando conversa com a decoração, como neste caso.”

Matéria publicada pela Natália Mazzoni do, O Estado de São Paulo em 08 de maio de 2016

1° FOTO. O espaço de um dos quartos deu lugar à sala de estar. O sofá modelo Otto foi desenhado por Guilherme Torres. O tapete vermelho é da By Kamy e o biombo, da Loja Teo. O toy art foi garimpado pelo arquiteto.

2° FOTO. Mesa de centro da Nos Furniture.

3° FOTO. Luminária laranja vibrante de Tom Dixon.

4° FOTO. Detalhe do estar com quadros da Marchè Art de Vie.

5° FOTO. Cadeira Herman Miller no escritório. O piso com detalhes geométricos, usado em todo o apartamento, é da Exbra.

6° FOTO. Vista do estar para a sala de jantar.

7° FOTO. Mesa de jantar de mármore e cadeiras Wishbone, da Artesian.

8° FOTO. Na sala de jantar, detalhe da luminária Zettel’z, de Ingo Maurer.

9° FOTO. Tela com grafite do artista plástico Nunca.

10° FOTO. Composição de pratos da Marchè Art de Vie.