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POR CIDADES COMPACTAS

13/05/2016

Alcançar uma prática mais ética e sustentável é uma das preocupações do arquiteto inglês Stephen Barrett

Sócio do escritório Rogers Stirk Harbour + Partners, de Richard Rogers, vencedor do prêmio Pritzker em 2007, Stephen Barrett ostenta um olhar especial para a vida urbana hoje. Basta dizer que esteve envolvido, nos últimos anos, na direção de uma consultoria para o planejamento metropolitano de Paris, o projeto Le Grand Paris 2025.

O quão delicado é traçar um plano diretor para um ícone como Paris?

A questão da escala num trabalho desses é importantíssima. O exercício principal é o olhar para a complexidade do todo. Juntamos um time multidisciplinar para montar a proposta, considerando que há 2 milhões de pessoas no centro turístico, mas, de fato, 9 milhões de parisienses vivendo fora dele. Neste sentido, é possível estabelecer uma comparação com São Paulo: ambos os locais exibem múltiplos núcleos, e um dos grandes desafios é conectá-los e lhes conferir identidade e força. Do ponto de vista do meio ambiente, Paris precisa ser contida, e não espalhada. Em nosso escritório, acreditamos em cidades compactas.

Como lidar com o crescimento das cidades?

Não acho que a alta densidade seja sempre a solução, mas sim a densidade hierarquizada. O tecido urbano não é uma coisa contínua e homogênea, você tem de estruturá-lo, como Richard Rogers vem falando há anos. Em Londres, por exemplo nós possuímos um cinto verde, o qual impõe limites. Sob a ótica sustentável, se faz necessária essa objetividade, traduzida em ganho de tempo e energia para as pessoas. A ocupação social e o uso misto também são fundamentais: bairros onde moradia, trabalho, cultura e lazer estão reunidos.

Matéria publicada por Arquitetura e Construção em abril de 2016

FOTO 1. Terminal 4 do aeroporto Madrid Barajas, na Espanha: a estrutura segue um espectro dinâmico de cores.

FOTO 2. Ilustração propõe um futuro para o Centro de Paris, com novas soluções de transportes e avenidas verdes.

FOTO 3. No projeto Bordeaux Law Courts, a transparência surge como metáfora para o tribunal de Justiça de Bordeaux, na França.