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DESIGN PARA TODOS

05/05/2016

Entrevista – Fernanda Feitosa

Uma das áreas da criação brasileira de maior expansão na atualidade, o design, passa a dispor, a partir da próxima quinta-feira, de um espaço exclusivo dentro da SP-Arte: feira idealizada pela advogada Fernanda Feitosa, que chega à sua décima segunda edição como uma das mais bem conceituadas de seu segmento.

E, como não poderia deixa de ser, com objetivos bem audaciosos. Além de movimentar o mercado nacional, o setor de design pretende fomentar o interesse mundial pelo móvel made in Brazil, colocando o País, definitivamente, na rota dos grandes colecionadores internacionais.

“Nosso objetivo é apresentar design de qualidade, para todos. Para os apreciadores, para os querem se aprofundar no assunto e, claro, para o público consumidor, nacional e internacional”, pontua Fernanda, que comentou a nova fase, com exclusividade, nesta entrevista ao Casa.

O que a levou a dedicar a um setor exclusivo para o design dentro da SP-Arte?

Antes de mais nada, a longa convivência entre as duas disciplinas, a arte e o design. Por toda a história, raros são os artistas que, ao menos por um momento, não se debruçaram sobre o tema. Até por isso, o mercado consumidor de arte sempre esteve muito atento ao que se passa nos campos do design e da decoração. E eventos como a Arte Basel, que acabou dando origem ao Design Miami, não me deixam mentir. Em outras palavras, ao colecionador de arte geralmente interessa, também, colecionador design. Por fim, juntando as pontas, na última década, assistimos o Brasil a dois fenômenos paralelos e complementares: a valorização do móvel modernista brasileiro e a emergência de uma nova safra de talentosos designers. Por tudo isso, creio haver chegado a hora de dedicar a essa produção um olhar mais atento e decidimos caminhar nesta direção.

Qual critério a seleção das galerias?

Por trabalhar há anos com arte, sempre estive bastante próxima do universo do design, de forma encarreguei de convidar pessoalmente os participantes. Nesse sentido, costumo dizer que atuei com 20 curadores. Ou seja, divido com eles, com as escolhas deles, a curadoria da mostra. Ainda assim, tomei como critério fundamental vinculação da produção apresentada ao conceito de design de autor. Com exceção de algumas peças do período colonial, todas as demais levam a assinatura de seus criadores. Também, neste primeiro momento, procurei fechar um pouco o leque e me concentrar mais em móveis e menos em objetos. O que não quer dizer que isso venha a acontecer nas próximas edições

Como foi organizada na exposição?

Como no restante da mostra, a ideia foi dispor as galerias lado a lado, sem divisões de ordem hierárquica ou conceitual. Uma condição reforçada, aliás, pela própria tradição da Bienal. Desta forma, a poucos passos de distância, podem ser encontrados móveis coloniais e criações recentes. Como acontece com a arte, acredito que esse tipo de distribuição evidencia ainda mais as particularidades de cada peça. Ainda assim, não nos preocupamos apenas em agradar a olhos treinados. Em um amplo painel, o apreciador armador terá acesso a uma linha de tempo que pretende apresentar os momentos chaves do design nacional. Ninguém vai ficar acanhado.

Matéria publicada pelo jornalista Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 03 de abril de 2016