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EM RITMO DE FOTOSSÍNTESE

04/05/2016

Os arquitetos Claudio Lazzarini e Carl Pickering apresentam projeto de casa geradora de energia em mostra em Milão

Se existe algo que o arquiteto italiano Claudio Lazzarini e o australiano Carl Pickering, companheiros na vida e no trabalho, há quase 35 anos, não abrem mão é de conferir uma abordagem multidisciplinar a cada um de seus projetos. Seja ele o de um bombom, como o que assinaram, anos atrás, para a Ferrero Rocher. Ou ainda o de um hotel inteiro, como recentemente fizeram em Sofia, na Bulgária. “O design não é uma questão de escala, mas de processo”, pontua Lazzarini. “Projetar de modo elástico e integrado é hoje uma condição indispensável, face às realidades cada vez mais complexas que devem ser equacionadas por nós, arquitetos”, complementa Lazzarini, para quem os desafios de ordem ambiental estão na ordem do dia. A ponto de motivar o desejo da dupla em criar uma casa geradora de energia para a mostra Stanze, atualmente em cartaz na Fundação Trienal de Milão, que se propõe a investigar o futuro dos ambientes domésticos. Locação das mais ilustres, onde a dupla falou ao Casa, durante a última edição do Salão do Móvel de Milão.

Ao descrever o projeto para a mostra, vocês se referem a uma utopia doméstica. O que há de real e de utópico na proposta que acabam de criar?

Claudio Lazzarini: Acho maravilhoso pensar em uma casa que possibilite a seus moradores viverem em total autonomia, produzindo suas próprias necessidades energéticas. Uma casa capaz de realizar a fotossíntese, digamos. Isso, claro, de certa forma ainda é utópico. Mas nada impede que nos próximos anos a tecnologia das tintas fotovoltaicas, que absorvem a luz solar e a transformam em energia se transforme em uma realidade ao alcance de todos. Nós a projetamos confiantes no futuro, tal como no início de nossas vidas, quando vivíamos em um apartamento em Milão como esse, de 33 m².

Por que o vermelho é a cor dominante?

Carl Pickering:Sem dúvida que o vermelho provoca imediata associação às ideias de fogo e calor, tão estreitamente relacionadas ao contexto de uma casa e que isso, claro, nos agrada bastante. Ocorre, no entanto, que não se tratou de uma escolha deliberada. Tomamos contato com esta tinta, de um vermelho profundo, capaz de absorver energia e, a partir daí, começamos a investigar seu potencial técnico e estético. Disso surgiu a ideia de serigrafar o vidro, criando membranas móveis, capazes de delimitar áreas dentro do espaço, mas sem separá-lo.

Como se deu a escolha do mobiliário?

Claudio Lazzarini:Costumamos dizer que a nós não interessa uma cadeira em si. Nem quem a desenhou. Mas o próprio ato de sentar. E isso se aplica tanto aos móveis que desenhamos como a todos os outros que habitam nossos projetos. Além disso, nos parece importante sempre optar por peças capazes de se transformar continuamente. Em sintonia com uma arquitetura como essa, que se pretende viva

Matéria publicada pelo jornalista: Marcelo Lima do, O Estado de São Paulo em 24 de abril de 2016