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BICICLETÁRIOS VIRAM ESPAÇO CULTURAL

21/12/2015

Bicicletários estão sendo criados em várias cidades, em iniciativas privadas ou em parcerias com o poder público. Há novos modelos de gestão dos espaços, com agenda cultural e serviços como ducha e vestuário. Capitais como Salvador (BA) e Porto Alegre (RS) acabam de ganhar 900 unidades para estacionar bicicletas que usam estrutura feita de plástico

No centro de Curitiba (PR), a Bicicletaria Cultural existe desde 2011, em uma região onde circulam mais de cinco mil pessoas por hora, devido à proximidade com universidades, avenidas e terminais de BRTs. “Temos 60 vagas no bicicletário e 20 delas são preenchidas diariamente por quem trabalha aqui perto ou se conecta com o sistema de transporte púb

A Bicicletaria Cultural cobra R$ 1,50 por hora de estacionamento e conta com serviços de mecânica e ducha. O público mais assíduo tem idade entre 25 e 40 anos. Segundo Fernando, o plano é ampliar a capacidade do vestiário e fechar convênios com empresas da região.

Em Salvador, foi inaugurado há dois meses um bicicletário gratuito ao lado de um dos cartões postais da cidade, o Farol da Barra. Funciona em um módulo de contêiner, com 44 vagas. Aberto sete dias por semana, das 6h à meia-noite, é uma parceira da prefeitura municipal com o banco Itaú.

Isaac Edington, presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), diz que o público que mais usa o espaço é formado por trabalhadores do bairro. A capital baiana tem 130 km de ciclovias e ciclofaixas, além de 40 estações de bike compartilhada, com 135 mil usuários cadastrados. Uma nova unidade deve ser aberta no bairro da Ribeira, sem data definida.

Em Porto Alegre, desde outubro, foram criados 80 paraciclos, em uma parceria da prefeitura com a Braskem. Diferentemente dos bicicletários, os paraciclos são estacionamentos de curta ou média duração, para uso público, e sem controle de acesso. Daniel Fl

Daniel Fleischer, analista de relações institucionais da Braskem no Rio Grande do Sul, afirma que as unidades têm dois tamanhos, para duas e seis bicicletas, e são produzidas com 19,5 quilos e 53 quilos, respectivamente, de plásticos reciclados pós-consumo. A iniciativa também chegou à Bahia, segundo Hélio Tourinho, gerente da empresa no Estado. Fo

As ações nos dois Estados receberam investimentos de R$ 50 mil. Segundo Fleischer, as unidades não precisam de manutenção e tem durabilidade estimada de 15 anos. “Estamos analisando projetos para outros municípios.”

Segundo Odir Züge Jr, que representa o modal bicicleta no Conselho Municipal de Transportes e Trânsito (CMTT) em São Paulo, o bicicletário ideal é aquele que se adapta à quantidade de usuários. “Deve ter vigilância presencial e controle de entrada e saída”, diz o especialista, doutor em direito e autor de tese sobre cicloativismo.

Todos os terminais de transporte público, como ônibus, trem, metrô e até mesmo aeroportos, têm demanda por bicicletários, diz. “Áreas próximas à universidades, parques e centros esportivos, além de escolas, grandes empresas e vias com muitos escritórios merecem ganhar a facilidade.”

A avenida Paulista recebeu em agosto um bicicletário próximo à rua da Consolação, na Praça Marechal Cordeiro de Farias, conhecida como Praça dos Arcos. O equipamento funciona 24 horas, tem 47 vagas e foi bancado pela prefeitura. A cidade também tem bicicletários ou paraciclos próximos a terminais de transporte público. Segundo dados da Companhia de

Matéria publicada pelo jornalista Jacilio Saraiva do Valor Econômico em 18 de dezembro de 2015