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CRESCE DEMANDA POR SERVIÇOS VOLTADOS À POPULAÇÃO IDOSA

16/12/2015

Com 21 milhões de habitantes acima dos 60 anos, ganham força serviços que oferecem suporte, independência e distração a essa faixa

A empatia em relação aos idosos inspirou a artesã Rita de Cassia Dias a criar o Ateliê Artesanal by, onde dá aulas de tricô, crochê, bordado e costura para alunas da terceira idade.

“O espaço foi mantido no meio deste ano. Antes, as aulas eram dadas em uma loja de armarinhos. Atendo muitas viúvas e aposentadas. Fiquei mais de um ano com uma aluna que sofria de Alzheimer e era muito assídua”, afirma.

Ela conta que as alunas não têm paciência para produzir coisas demoradas como patchworks – gostam de fazer peças que fiquem prontas logo. “Montar o ateliê fez com que todos passassem a me ver como empreendedora. Também consegui atrair mais alunas. Está dando muito certo.”
Agora, duas alunas mais antigas estão trabalhando com ela. “Elas viraram minhas parceiras. Estamos com muitas encomendas para o Natal. O próximo ano será ainda melhorar, porque tem muita gente interessada passando por aqui.”

Assim como Rita, outros empresários veem no envelhecimento da população uma oportunidade de negócio. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 21 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais. Até 2025, serão 32 milhões, estima a OMS.

Dono da TecTotal – Tecnologia Sem Complicações, Glaucon Pereira conta que o negócio criado em 2006, surgiu como ponte entre as tecnologias e os usuários. “Atendemos, principalmente, clientes da terceira idade. Começamos oferecendo suporte na área de informática ensinando, por exemplo, a usar um software, a instalar impressora etc. Depois, veio a época de ensinar a mexer em home theater e os seus diversos controles remotos”, relembra.

Pereira diz que as dúvidas atuais desse público estão relacionadas a como colocar foto no Facebook, ou sobre como fazer download da foto do netinho. “O mundo digital avança rápido. Quem nasceu antes dessa época têm dificuldade.”

Hoje, a TecTotal complementa a oferta de serviços ensinando os clientes a instalar e mexer em produtos da linha branca como geladeira, máquina de lavar, micro-ondas etc. Segundo Pereiral, o negócio cresce na casa dos dois dígitos ao ano.

Na Gonçalo Social – Produtora de Foto e Vídeo, que está no mercado desde 1952, clientes que contrataram a empresa para fotografar seu casamento continuaram fiéis e recorreram à empresa para registrar suas bodas de prata e de ouro.

O atual gestor da empresa, Paulo de Mieri, genro do fundador, conta que festas de bodas de ouro e de aniversários de 80 anos são os eventos que mais produzem demanda entre os clientes da terceira idade. O segmento representa cerca de 10% do negócio. “A empresa cresce de 15% a 20% ao ano e tem 35 funcionários diretos, que estão distribuídos em duas unidades. Por ano, cobrimos cerca de 360 eventos”, conta Mieri.

Na AxisMed, 60% dos 180 funcionários trabalham direta ou indiretamente com idosos. “Temos um programa de gerenciamento de doentes crônicos está em atividades desde 2002”, conta o diretor executivo, Fábio de Souza Abreu.

Segundo ele, a empresa trabalha em parceria com empresas e planos de saúde. “Nosso serviços de orientação às pessoas com doença crônica deixa à disposição um número 0800 para o qual os clientes podem ligar para tirar dúvidas em relação a qualquer problema de saúde que os aflija.”
A AxisMed também tem um programa que auxilia as pessoas a aceitarem a nova realidade de se tornarem idosas, além de orientar sobre como cuidar da saúde nessa fase da vida.

Segundo ele os programas de relação com o idoso representam cerca de 70% do negócio. “A demanda é crescente. Cada vez mais os problemas crônicos dos idosos atraem clientes para os nossos programas.”

Abreu afirma que a empresa mantém crescimento de 20% ano. “Em 2015, no entanto, não chegaremos a esse patamar.” Ele afirma que faz parte dos planos da AxisMed atender particulares. “Mas por conta da situação econômica atual, resolvemos concentrar esforços nas linhas que já ofertamos. Assim que a economia ficar estável, vamos retomar o projeto.”

O empresário diz que quando se fala da população idosa é sempre bom ressaltar a carência que eles têm a necessidade de ofertas de apoio e suporte.

Matéria publicada por O Estado de São Paulo em 29 de novembro de 2015