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FOCO NAS LUMINÁRIAS

09/12/2015

Entrevista: Memo e Nada se Leva

A mais completa compilação de luminárias brasileiras já reunidas em um livro está prestes a sair do forno. Com lançamento previsto para o dia 24, Design Brasileiro – Luminárias, apresenta, cronologicamente, 135 peças produzidas entre as décadas de 1950 e 2000, assinadas por mais de 100 designers brasileiros ou atuantes no mercado nacional. A seleção, conduzida pelo galerista MeMo, e pelos designers André Bastos e Guilherme Leite Ribeiro, do estúdio Nada se Leva, priorizou, além da consistência dos trabalhos, a vinculação com momentos relevantes do design nacional nos últimos 65 anos. Figuram na edição de clássicos como a Eclipse, produzida por Maurício Klabin nos anos 80, a luminárias de tiragem recente assinadas por nomes como Bruno Faucz e Pedro Venzon. “A marcenaria primorosa e inspiração da estética moderna continuam sendo dados expressivos na nossa produção. Nas peças mais contemporâneas, é interessante notar como essas vertentes se cruzam com novas referências”. Afirma Bastos que, ao lado de seus parceiros na organização da edição, falou ao Casa.

O que mais pensou na seleção: o componente estético ou o tecnológico?

Marcelo Vasconcelos: De forma geral, o componente estético. No período moderno entre 1950 e 1960, havia poucos recursos tecnológicos disponíveis na indústria nacional, o que acabou se estendendo ainda por algumas décadas. A maior parte da luminárias era importada e, sendo assim, as poucas peças produzidas no Brasil priorizavam a forma, o estilo e a qualidade de seus materiais. Em anos mais recentes, a tecnologia passou a ocupar muito maior, mas ainda assim, em se tratando de um livro como o nosso, que pretende abordar o componente autoral aplicado ao desenho das luminárias, a estética foi o aspecto determinante.

É possível falar em uma identidade brasileira associada ao desenho de luminárias?

André Bastos: Acredito que sim. Especialmente a partir dos anos 1990, quando a busca de uma identidade descolada da produção internacional ganha força, tendo como maior expoente o trabalho dos Irmãos Campana. É quando o nosso “borogodó”, digamos assim fica evidenciado por um componente lúdico, no colorido a mais, na exuberância dos detalhes e nas múltiplas referências ao nosso artesanato e ao nosso folclore.

A que atribui o interesse maior dos designers brasileiros pelo objeto a partir da década de 1990?

Guilherme Leite Ribeiro: A princípio como uma consequência natural de valorização do design autoral, tal qual aconteceu com o design de mobiliário. O dado novo é crescente demanda das marcas nacionais por produtos desenvolvidos por designers daqui, o que definitivamente, é bom para todos, incluindo os consumidores.

Matéria publicada pelo Jornalista Marcelo Lima do Estado de São Paulo em 15 de novembro de 2015