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CELEBRAÇÃO GLOBAL

24/11/2015

Dubai estreia semana de design buscando se tornar referência para profissionais de todo mundo

Cidade mais populosa dos Emirados Árabes Unidos, com 2,1 milhões de habitantes, Dubai exibe desde 2008 o edifício mais alto do mundo, o Burj Khalifa, com 828 metros de altura. Deve hospedar a Exposição Universal de 2020, mas, enquanto isso não acontece, não abre mão de perseguir objetivos audaciosos. O mais recente deles? Se tornar uma referência no cenário do design global.

“Pretendemos oferecer uma plataforma para designers de todo o mundo conquistarem uma audiência qualificada”, declara Cyril Zammit, diretor do grupo Art Dubai, entidade promotora da semana de design local, encerrada na última sexta-feira. Evento que, em sua primeira edição, se mostra promissor. Apesar de ainda carecer de uma identidade mais bem definida.

Tendo como ponta de lança o projeto do Dubai Design District, ou D3 – bairro em construção que em 2018 deverá contar com mais de 1 milhão de m² dedicados à criação -, a Semana de Design de Dubai teve na sua Perspectiva globalizada seu principal trunfo. Atualmente, o distrito consagrado ao design conta com 11 edifícios prontos para receber seus inquilinos: de designers iniciantes a grandes marcas de todo o mundo. Não por acaso, atendendo ao desejo dos empresários locais de conferir, desde já, uma conotação cultural – e internacional – ao recém-construído bairro, o D3 se converteu no ponto focal da semana de design.

Principal atração do local, a Downtown Design, feira comercial que em sua terceira edição reuniu marcas de 24 países, com destaque para as italianas, este ano voltou suas atenções para os talentos emergentes. A convite dos organizadores, designers de seis cidades foram convidados a apresentar suas criações: Helsinque, Instambul, São Francisco, Cidade do México, Pequim e Melbourne.

Além de sediar a Downtown e promover palestras com designers consagrados, como o brasileiro Humberto Campana, O D3 hospedou diversas exposições. A primeira delas, a Global Grad Show reuniu trabalhos de 50 alunos de dez prestigiadas universidades do mundo – incluindo a suíça Ecal, a Universidade de Eindhoven, na Holanda, e o Royal College of Art, de Londres -, com o objetivo de identificar abordagens criativas para problemas cotidianos.

O brasileiro Guto Requena e o grupo Coletivo Amor de Madre marcaram presença por lá. O primeiro com seu Projeto Amor, de objetos definidos tridimensionais por ondas cerebrais. E o Coletivo com uma instalação reproduzida também no outro extremo da cidade, no bairro histórico de Al Fahidi. “Por meio de uma escultura de madeira e vidro, procuramos unir as duas pontas da cidade”, afirmou o autor do projeto, o arquiteto Henrique Stabile.

Já dispersos pelas alamedas do bairro do design, seis pavilhões construídos com painéis plásticos preenchidos por filetes de areia abrigaram instalações produzidas por designers e arquitetos de países do Oriente Médio, norte da África e sul da Ásia. Todos reunidos em torno do tema “O elemento jogo e a cultura”.

Completando a programação, Brilliant Beirute apresentou o impacto da evolução urbana sobre as disciplinas criativas na capital libanesa. Traçando um painel do design libanês da década de 1950 até os dias atuais, a mostra entre arquitetura, educação, artes gráficas, moda e mobiliário. Deixando todos os visitantes com um gostinho de quero mais.

Matéria publicada pelo Jornalista: Marcelo Lima do Estado de São Paulo em 1° de novembro de 2015