English Version

DIRETRIZ DO NOVO PLANO VAI ‘ENCOLHER’ EDIFÍCIOS

23/11/2015

Perto de eixos de transporte, imóveis serão compactos com até 80m² e uma vaga

Apartamentos acima de 100m² com mais de duas vagas na garagem. Essa configuração deve rarear na cidade de São Paulo ou ficar muito mais cara. O plano Diretor aprovado em 2014 mudará “a cara” da cidade nos próximos anos, quando os lançamentos obedecerão as novas regras e diretrizes.

Próximo dos eixos de transporte público, a capital deverá receber imóveis mais compactos. Nesses lugares, as incorporadoras poderão construir edifícios com uma área equivalente a quatro vezes o tamanho do terreno, mas o os apartamentos terão um limite de 80 m².

Restrições. Para estimular uso de transporte público, as regras em relação a vagas também são restritivas. Em residenciais, a permissão é de uma vaga por apartamento, no máximo. No miolo dos bairros, os edifícios ficarão menores, já que a lei restringe a altura a oito andares, exceto em quarteirões cuja área de prédios já ultrapassa 50%. Para construir acima desse limite, haverá pagamento de taxa.

“Essas mudanças vão mudar a cara dos bairros, mas ainda não dá para saber como ficará exatamente”, afirma o superintendente comercial da Brookfield, Carlos Fernandes. Segundo ele, o mercado escolherá se é melhor investir em imóveis menores, com apenas um vaga de garagem, ou vender apartamento maiores e mais caros.

Urbanista prevê novas tipologias

A arquiteta e urbanista Adriana Levisky defende o Plano Diretor pelos benefícios que trará para os chamados eixos de estrutura a transformação urbana. “São novas zonas de uso situadas ao longo de corredores de ônibus, linhas e estações de metrô”, diz Adriana, que também é vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea). “A expectativa é trazer novas tipologias (projeto de uso misto) e atividades para esses corredores”. Ela vê benefícios como maior potencial construtivo e densidade residencial. “Espera-se alcançar novas e modelos de interrelação entre os espaços públicos e privados, aproximando a vida nas calçadas”, afirma. A expectativa do mercado é que isso eleve o custo da construção, aumentando também os preços para o consumidor final. “O novo Plano Diretor tem legislação muito restritiva”, afirma o diretor da construtora Luciano Wertheim, Ely Wertheim.

Ele lembra que as construções só poderão ter no máximo oito andares no miolo das quadras perto dos eixos de transportes. “Isso encarece os empreendimentos e levará a valorização futura dos apartamentos e levará à valorização futura dos apartamentos prontos e aprovados.” Para o presidente de Creci, José Augusto Viana Neto, ninguém vai conseguir vender imóvel, porque, afirma, tudo vai ficar muito caro. “Com as restrições, a oferta não atenderá nem mesmo o crescimento orgânico da cidade.”

Matéria publicada pela jornalista: Larissa Féria do, O Estado de São Paulo em 08 de novembro de 2015