English Version

DESIGN NOVA DIGNIDADE

17/11/2015

Tendo por base uma estrutura leve, de metal ou madeira, fragmentos de vime resgatados de antigas cadeiras são aplicados diretamente sobre uma tela de náilon, readquirindo uso e, por que não, uma nova dignidade. “Começamos a trabalhar nesta série de móveis de 2013, mas só agora consideramos que ela esteja plenamente contextualizada”, afirma o designer brasileiro Humberto Campana, que decidiu fazer da coleção, batizada de Detonados, o centro da palestra que apresentou durante a primeira edição da Semana de Design de Dubai, na última terça-feira.

“Temos observado com cuidado as diversas técnicas artesanais, procurando formas de integrá-las à nossa prática criativa”, explica Humberto, que desta vez conduziu por conta própria o encontro nos Emirados Árabes. “Decidimos quase tudo juntos, mas, em se tratando de viagens, por vezes temos de nos dividir”, afirmou o designer à reportagem do Casa, nesta entrevista exclusiva.

É sua primeira vez na cidade? Quais suas impressões?

Não. Estive aqui há quase três anos e, a princípio, me parece que a cidade cresceu muito, o que, não chega a ser exatamente uma novidade, claro, em se tratando de Dubai (risos).

Como vê a semana de design local, assim como os demais eventos do gênero ao redor do mundo?

Ainda não vi muito, mas me agrada a ideia de um evento de design por aqui, particularmente pela oposição estratégica da cidade, a meio caminho entre o Ocidente e o Oriente. Gosto das semanas de design, dos cruzamentos, da intensa contaminação que elas produzem. Acabo de me preparar com um jovem designer daqui que participou de um de nossos workshops e fico feliz e constatar que ele já conquistou seu espaço. Acho esse tipo de encontro saudável para todos, público, empresários e designers.

Quais assuntos serão abordados na sua conferência?

Pretendo apresentar, para além da nossa cultura natural pelos materiais, nosso atual interesse pelas técnicas artesanais, do qual a coleção Detonados, que vamos apresentar na galeria Friedman Benda, em Nova York, a partir do dia 13, é o exemplo mais evidente. Começamos aplicando o vime tendo como base o metal até que chegamos à madeira. Nesse sentido, nos sentimos felizes em dar nova visibilidade a uma técnica de produção tão refinada e qualificada como a palha trançada. Vou apresentar também o sofá Pirarucu: um móvel confeccionado por artesãos franceses, mas que tem como matérias-primas o bambu e a pele curtida de um dos maiores peixes de água doce da Amazônia. E do mundo.

Matéria publicada pelo Jornalista: Marcelo Lima do Estado de São Paulo em 1° de novembro de 2015