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DESIGNER LANÇA COLEÇÃO DE TAPETES EM FORMAS GEOMÉTRICAS

03/11/2015

O que a Basílica do Vaticano, obra-prima do barroco italiano, tem a ver com tapetes de couro desenhados digitalmente? Para o arquiteto e designer Murilo Weitz, muito. E mais um pouco. Tendo como referência a planta da célebre catedral, desenhada pelo lombardo Donato Bramante no século 15, ele resolveu conceber sete tapetes, que, oficialmente apresentados em uma instalação interativa na última edição do Design Weekend, em São Paulo, se converteu em uma das atrações mais concorridas da mostra. “Para criar uma relação maior entre a coleção e o Brasil, resolvi desconstruir o nome do arquiteto, sintetizando a coleção na expressão Br+Amante”, conta ele, que, para aumentar o nível de interatividade da instalação com o público, dotou o espaço de espelhos e músicas brasileiras falando de amor. Um sucesso instantâneo, de público e crítica, que ele relata nesta entrevista.

Nos tapetes da coleção Br+Amante, o processo de concepção parece ser tão importante quanto o produto final. Como isso acontece?

Meu ponto de partida foi a Basílica de São Pedro. A fusão entre os elementos arquitetônicos e as formas geométricas da obra aparecem como tema em alguns deles. Em outros, são os elementos internos, imagens, obras de arte, vitrais e esculturas, que, devidamente transformadas em pixels, dão origem aos tapetes. Há ainda um tapete mais conceitual, no qual a pele da vaca que é desconstruída, produzindo um forte contraste entre o natural e a vocação geométrica da coleção.

Quais cores você selecionou para as possíveis versões?

Nossa paleta possui 27 cores que aparecem linkadas a três temas originalmente brasileiros: paisagem, arquitetura e frutas. Três vertentes extremamente ricas de tonalidades e identidade, que podem proporcionar uma gama imensa de composições, de acordo com a necessidade e o desejo do cliente.

Como surgiu a ideia de criar uma instalação interativa para apresentar a coleção no Design Weekend?

Antes de mais nada, da minha necessidade de mostrar para o público, após minha estreia na Casa Cor, que esta linha de tapetes é, de fato, uma coleção de design. Procurei focar a atenção no objeto, propondo uma nova forma de apresentar tapetes, fora da perspectiva que se tem deles, em geral, quando estendidos sobre os pisos. Surgiu daí a ideia de usar espelhos para ampliar a interação. Por ser aberto para o jardim, a reflexão possibilitou que todas as pessoas que estivessem circulando ao redor do espaço vissem que algo estava acontecendo, o que incentivou a aproximação para vivenciar a experiência, de forma global. Visual, tátil e auditiva.

Matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo