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FERNANDA YAMAMOTO CRIA LUMINÁRIA INSPIRADA POR UM DE SEUS VESTIDOS

28/10/2015

É a segunda incursão da estilista no mundo do design. Antes, ela havia desenhado um banco para um de seus desfiles

Conquistar o 1.º lugar na categoria têxtil na edição do ano passado do Prêmio Design MCB representou uma dupla conquista para a estilista Fernanda Yamamoto, uma das profissionais mais bem cotadas de sua geração que sempre cultivou interesse especial pelo universo do design. “O prêmio sinalizou o reconhecimento do meu trabalho também nesse segmento”, afirma ela, que, por meio de uma de suas criações – um vestido feito para a coleção Verão 2015, com 100 quadrados de tamanhos diferentes, aplicados sobre uma base de tule transparente –, acabou recebendo o convite da paulistana Bertolucci para desenvolver uma linha de luminárias. “Tanto no vestido quanto na luminária a ideia foi dar a impressão de que os quadrados flutuavam”, revelou a estilista nesta entrevista exclusiva ao Casa.

De onde vem seu interesse e como se deu sua aproximação com o universo do design?

Sempre tive o desejo de explorar outros suportes além da moda. Acredito que criação de objetos e roupas guardam muitas semelhanças. Para mim, design e moda, de certa forma, caminham juntos. “Vestir” espaços, que é como conceituo minha dinâmica de atuação na área, surgiu como consequência. Como um desdobramento natural do meu trabalho como estilista.

Comente seus projetos já realizados na área.

Meu primeiro trabalho, o banco Pedra, feito em parceria com o coletivo PAX.ARQ, surgiu em decorrência de uma de minhas coleções de moda. Mais especificamente de uma peça que compunha o cenário do meu desfile de inverno de 2014. A ideia era deixar várias pedras forradas com carpete felpudo ao longo da passarela. As pessoas ficaram com vontade de sentar nas peças e a partir daí surgiu a ideia do banco. Para viabilizar a produção do móvel, fiz uma parceria com os arquitetos Paula Sertório e Victor Paixão, do coletivo. Também a luminária surgiu como desdobramento de outro produto de moda. No caso, o tecido “quadrados”. Na entrega do prêmio no MCB, a Eneida Bertolucci viu o produto e, no ato, me convidou para desenvolver a linha de luminárias.

Quais os pontos de convergência – e de antagonismo – entre seus projetos de moda e design?

Minha sensibilidade e meu olhar para a moda e para o design são os mesmos. O suporte e a funcionalidade é que são diferentes. Mas vestir um espaço, acrescentando a ele um objeto, é muito diferente de vestir um corpo.

Pretende continuar produzindo objetos? Que tipo de produto gostaria de desenvolver?

Gostaria de realizar mais parcerias. Não tenho conhecimento técnico na área, por isso, gostaria muito de me unir a quem tenha. A troca entre moda e design pode ser riquíssima.

Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo

01 - A estilista Fernanda Yamamoto vestindo uma de suas criações

02 - Vestido de Yamamoto que inspirou a criação da luminária Quadrados

03 - A luminária Quadrados, desenhada por Fernanda para a Bertolucci