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COMPRAS PARA CASA AO REDOR DO MUNDO: MIAMI, NOVA YORK E ÁFRICA

21/10/2015

Viagens de férias são boa oportunidade para incrementar a decoração. Mas é essencial ficar atento ao que vale a pena comprar.

O designer holândes Marcel Wanders afirmou certa vez que ao desenhar um objeto procura pensar nele como aquele que escolheria para salvar caso sua casa estivesse pegando fogo. Um sentido de urgência, em certa medida, vivenciando também por viajantes em férias. “A pessoa se encanta por um produto e se torna refém emocional dele. A partir daí, é capaz das maiores peripécias para acomodá-lo na bagagem e trazê-lo para casa”, comenta o empresário e importador Mario Nobre.

Diferentemente, porém, das pequenas compras, quem viaja pensando em adquirir produtos de maior valor agregado, sobretudo peças de design, na Europa e nos Estados Unidos, devem pensar bem antes de sacar o cartão de crédito. Preço por preço, pode até parecer vantajoso comprar no exterior, mas feitas as contas, a transação pode não se revelar tão boa assim.

“Em linhas gerais, ser for um objeto para casa, uma luminária, um vaso, um adorno ou mesmo um artigo de cama, mesa ou banho para que venha com você e seja de uso pessoal, o que vale são as normas da Receita Federal quanto à cota alfandegária. Se a dimensão de embalagem não permitir que a mesma viaje como bagagem pessoal e sim como desacompanhada, o viajante fica sujeito aos mesmos critérios aplicado aos importadores”, explica Nobre.

“Sem dúvidas nenhuma o que mais me atrai é a possibilidade de encontrar peças exclusivas e a variedade de opções lá-fora”, declara a arquiteta Myrna Porcaro, que acaba de concluir a decoração de um apartamento, em Belo Horizonte, com itens comprados inteiramente comprados em Miami e transportados via contêiner.

Da mesma forma que os sócios Frederico Morán e Haroldo de Barros Rodrigues, que em duas viagens para Nova York concluíram a compra de todos imóveis, acessórios e equipamentos empregados na montagem de uma casa decorada pela dupla Tamboré, nos arredores de São Paulo. “Os preços são muitos competitivos”, diz Rodrigues.

Segundo Nobre, trata-se de uma operação que exige acompanhamento profissional para se revelar vantajosa. E não apenas em função de seus custos. “Existem diversas formas de fazer uma importação, mas aqui as questões são outras: vale mesmo a pena importar? Existem similares no brasil? O custo é suportável mesmo em face das taxas? Se for um bom negócio, vá em frente.”

COZINHA COMPRADA EM MIAMI

“Em Miami, podemos encontrar itens de extrema qualidade e beleza, como tecidos para colchas e capas de almofadas. E o melhor é que eles podem ser facilmente acomodados na bagagem de mão e na “mala” afirma, a arquiteta mineira Myrna Porcaro.

Segundo ela, pequenos objetos de decoração, como vasos, adornos, relógios de mesa, caixas de madeira e esculturas, também se prestam bem a esse tipo de transporte, mas é fundamental acomodar bem as peças para que não danificadas a viagem.

“Sempre evite trazer na bagagem coisas muitos frágeis, de transporte complicado. Uma vez trouxe no meu colo uma coleção de cristais Baccarat. Foi uma tensão sem fim, mas ainda assim eles chegaram intactos. Apenas anos depois, três tacinhas se quebraram”.

CORTINAS PADRÃO BROADWAY

Segundo o arquiteto Heraldo de Barros Rodrigues, a qualidade e a durabilidade das peças de mobiliário e os diferentes padrões de tecidos e texturas que podem ser encontrados nas lojas especializadas de Nova York são dois fatores que justificam compras.

“Para transportar na cabine, recomendado a compra de pequenas gravuras e aquarelas, tecidos e até mesmo pequenos móveis Na minha última viagem, em dezembro, trouxe duas laterais que desmontadas couberam sem problemas em minhas malas”, conta.

Cortinas de linho, seda, veludo e outros tecidos são também boas opções de compra. “Você pode trazer na medida certa que precisa, prontas e forradas. O acabamento é impecável e elas ocupam quase ao mesmo espaço que suas roupas na mala”, conclui.

EXPEDIÇÃO À ÁFRICA

A riqueza ao mesmo tempo a simplicidade da África sempre atraíram as atenções da arquiteta catarinense Ana Paula Ronchi. “Desde pequena o continente sempre me interessou. Gostava de ver os filmes na savana africana, amava as girafas, zebras e leões. O povo africano me passa muita alegria e, apesar das dificuldades, vigor e autencidade”, afirma.

“Os tecidos das roupas dos africanos suas pinturas corporais e seus acessórios coloridos me fascinam. Também me interesso muito por móveis revestidos com peles de animais (certificados, é claro), por chifres e por ossos. Eles são muito bem vindos nos meus trabalhos”, declara a arquiteta, que tomou o continente africano como inspiração para conceber o seu espaço na edição 2015 da Casa Cor Santa Catarina.

01 - A arquiteta mineira Myrna Porcaro

02 - A depender do tamanho, móveis desmontáveis podem vir na bagagem pessoal

03 - Cozinha comprada em Miami

04 - Os arquitetos Haroldo de Barros Rodrigues e Frederico Móran

05 - Detalhe do hall da casa em Tamboré, decorada com móveis inteiramente comprados em Nova York

06 - Do alternativo ao tradicional, a diversidade de estilos nas lojas de decoração de Nova York impressiona. Na foto, o quarto da casa de Tamboré

07 - O hall de entrada da residência em Tamboré

08 - A arquiteta Ana Paula Ronchi

09 - Texturas ressaltadas no living decorado sob inspiração do continente africano

10 - Peles e objetos rituais com função decorativa são boas opções de compra nos países africanos

Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo