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COMPRAS PARA CASA AO REDOR DO MUNDO: MILÃO, COPENHAGUE, ÍNDIA E MARROCOS

20/10/2015

Viagens de férias são boa oportunidade para incrementar a decoração. Mas é essencial ficar atento ao que vale a pena comprar.

O designer holândes Marcel Wanders afirmou certa vez que ao desenhar um objeto procura pensar nele como aquele que escolheria para salvar caso sua casa estivesse pegando fogo. Um sentido de urgência, em certa medida, vivenciando também por viajantes em férias. “A pessoa se encanta por um produto e se torna refém emocional dele. A partir daí, é capaz das maiores peripécias para acomodá-lo na bagagem e trazê-lo para casa”, comenta o empresário e importador Mario Nobre.

Tanto entusiasmo, porém, pode acarretar algumas surpresas. “Uma me interessei por uma máscara tribal adquirida durante uma viagem ao Quênia. Porém, por ser usada em rituais, ele tinha um cheiro muito forte. Acabou ficando só um mês no meu escritório. E admito que fiquei com um pouco de medo dela”, conta a arquiteta Ana Paula Ronchi, admiradora confessa da arte e do artesanato africanos.

“Os tecidos deles são únicos, funcionam superbem revestindo almofadas e pufes e ainda podem ser transportados na mala com facilidade. Já as bijuterias, cestas, máscaras tribais ficam ótimas quando combinadas e quadros e gravuras nas paredes. Especialmente em combinações inusitadas”, diz arquiteta, que decidiu homenagear o continente em seu ambiente criado para a Casa Cor Santa Catarina deste ano.

“É sempre trabalhoso carregar essas coisas, mas a empolgação do momento fala mais alto”, confessa a também arquiteta Camila Valentini, sempre ás voltas com viagens de férias – e por que não de compras – a países como Índia, Marrocos, Turquia e Jordânia. “Tenha uma ligação muito forte com o Oriente. A cultura, os costumes, tudo me atrai. Incluindo os preços mais em conta, claro”.

Desde que exista disposição (além do espaço na mala), tapetes, tecidos, mantas, bandejas e copos são alvos preferenciais da arquiteta. “Já trouxe até espelhos, obviamente na bagagem de mão”, conta ela. É algo que não pode ser suplantado: o valor emocional da peça, remetendo a um momento mágico, a um lugar especial que visitei. Não consigo resistir.

Diferentemente, porém, das pequenas compras, quem viaja pensando em adquirir produtos de maior valor agregado, sobretudo peças de design, na Europa e nos Estados Unidos, devem pensar bem antes de sacar o cartão de crédito. Preço por preço, pode até parecer vantajoso comprar no exterior, mas feitas as contas, a transação pode não se revelar tão boa assim.

“Em linhas gerais, ser for um objeto para casa, uma luminária, um vaso, um adorno ou mesmo um artigo de cama, mesa ou banho para que venha com você e seja de uso pessoal, o que vale são as normas da Receita Federal quanto à cota alfandegária. Se a dimensão de embalagem não permitir que a mesma viaje como bagagem pessoal e sim como desacompanhada, o viajante fica sujeito aos mesmos critérios aplicado aos importadores”, explica Nobre.

“O que mais me motiva é o acesso a marcas que não são comercializadas no Brasil, principalmente em centros de design como Milão e Copenhague. Levo uma mala dobrável e, a cada uma de minhas viagens, ele sempre volta cheia”, conta o arquiteto Alexandre Zanini, que recomenda aos visitantes dessas duas cidades a compra de itens de cama, mesa e banho, além de luminárias e papéis de parede. “São objetos fáceis de acomodar que quase nunca se danificam durante o transporte”, explica.

NO EIXO MILÃO-COPENHAGUE

Anos de estudo em Milão garantiram ao arquiteto ítalo-brasileiro Alexandre Zanin acesso aos melhores endereços da capital mundial do design. Não por acaso, é para lá que ele sempre volta quando pretende renovar o visual de seu apartamento, na Vila Madalena.

“Para achar as melhores ofertas é preciso vasculhar as prateleiras das lojas. Na maioria delas é possível encontrar itens descontinuados por preços verdadeiramente sedutores”, considera ele, que nos últimos anos tem visitado muito Copenhague, onde a oferta de artigos, digamos, “transportáveis”, como jogos de mesa, luminárias e tecidos é igualmente vasta. “Enquanto em Milão é possível encontrar a atualidade do design, na Escandinávia o forte são os ícones e algumas exclusivas do mercado local”, conclui.

CURINGAS NA DECORAÇÃO

“Os pufes de couro de camelo que podem ser facilmente encontrados nas ruas do Marrocos são um curinga de decoração, tanto no ponto de vista funcional, como plástico. Por serem pequenos, eles se ajustam bem em qualquer etilo. A composição fica equilibrada e não muito étnica”, considera a arquiteta Camila Valentini.

“Aqui em casa, minhas filhas os usam na hora de pintar, brincar, servir de suporte para o computador. E eu e meu marido, como apoio para um chá, um fondue ou aperitivo com os amigos do living.”

Como vantagem adicional, Camila se destaca a facilidade de transporte. “Comprei os meus sem enchimento e mandei encher em um tapeceiro aqui em São Paulo. Na hora da compra, só não se esqueça de negociar. Pechinchar é obrigatório por lá”, recomenda.

01 - O arquiteto Alexandre Zanini

02 - Mesa montada pelo arquiteto exibe porcelanas e travessa de aço polidos comprado em Copenhague

03 - Na área de estante, papel de parede comprado em Milão

04 - O lustre desmontável foi adquirido em Copenhague, assim como almofadas da grife Marimeko

05 - A arquiteta Camila Valentini

06 - Na mesa de centro, objetos adquiridos na Índia e no Marrocos

07 - Pratarias indianas, em sintonia com a decoração

08 - O canto de leitura exibe poltrona com manta indiana

Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo