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LOJA POP-UP VENDE PEÇAS DE SIG BERGAMIN NO SHOPPING IGUATEMI

16/10/2015

Aberta até 26 de janeiro de 2016 no shopping Iguatemi São Paulo, a pop up store Sig Bergamin Home reúne peças do acervo pessoal do arquiteto, garimpadas em viagens pelo mundo ao longo de 30 anos. São tecidos, tapetes, luminárias, almofadas, cestas, sacolas, poltronas e pufes contagiados pelo irresistível Sig Style, em que cores e estampas se mesclam com um jeito único.

Como define sua loja?

Sempre senti falta de um espaço como esse. Resolvi então liberar o meu acervo, que é resultado de uma curadoria de 30 anos pelo Brasil e pelo mundo. Reúne tudo o que eu gosto e que fica bonito num refúgio de verão. Por isso o lugar é colorido, tem muita palha, figuras de aves brasileiras, de flor de maracujá e peças versáteis, que podem ser usadas no décor ou levadas à beira-mar, como as bolsas e as cangas. Inicialmente, a loja de 200 m² ficará aberta durante quatro meses. Se tiver sucesso, talvez continue. Adoro moda, por isso decidir misturar os dois universos.

Além do Brasil, produtos de quais outros países estarão disponíveis nas prateleiras?

Da África, India, América Central e França, entre outros. Há itens de 80 reais a 8 mil reais. Desde bloquinhos e porta-lápis, para deixar no quarto de hóspedes, a tapetes e móveis. Muitos dos tecidos que guardo há anos viraram almofadas, rolinhos, pufes. Alguns deles foram revestidos com um pachtwork de tecidos novos e antigos.

Você foi tomado repentinamente por esse espírito de desapego?

Sim, essa onda chegou para mim também. Decidi reciclar 90% das peças que guardo para abrir espaço e começar uma nova história. Parte do meu acervo fica armazenado na minha casa, parte no escritório e parte em depósitos. Já não tinha mais lugar. Na minha última viagem à India, não pude comprar quase nada por não ter mais onde guardar. E uma das coisas que mais gosto de fazer em viagens é escolher tecidos e imaginar peças multiuso. Numa das minhas últimas idas para Isle-sur-la-Sorgues, na Provença, achei sacos de farinha com listras vermelhas de 1920. De tão lindos, não resisti e comprei. Agora pude aproveitá-los para criar uma bolsa que serve para acomodar plantas e revistas ou ir para a praia. Também consegui abrir mão de um quimono japonês pintado com tintura vegetal no tom índigo e de outro trazido do Uzbequistão. Pretendo enquadrar os dois. Prefiro mil vezes uma roupa exclusiva como essas na parede a uma gravura com 200 cópias. Não gosto de visuais convencionais.

As pessoas estão apostando mais em tonalidades vivas?

Todo mundo tem medo de colorir a casa. Acham que vão enjoar. Mas na casa de praia não há esse risco. Dá para ousar. Eu nunca tive receio de usar cor. Já comecei misturando tudo. Adoro me arriscar para deixar a casa mais divertida, irônica. Nós não somos perfeitos, então a casa não tem de ser perfeita.

Como funciona essa atração por combinações atrevidas no seu universo particular?

Quando sai do Brasil pela primeira vez, fui direto para o Oriente (Bali, Vietnã, Nepal, Indonésia). Comecei a ir para Milão só há três anos. Desde o início via a cor não como tendência, mas como material. Misturar padrões e tonalidades faz bem para os olhos. Na minha casa, sou compulsivo, troco cortinas e revestimentos de almofadas e estofados a cada dois meses ou sempre que vou dar uma festa. Esse ano, já troquei três vezes. Sempre que compro panos, dou um tempo até saber onde vou usá-los. Se me apaixonei perdidamente por algum, mando emoldurar. Tenho muitos ciúmes das peças do meu acervo, mas a loja irá me ajudar a desenvolver a noção de desapego, porque serão usadas por gente legal. Além disso, é um jeito gostoso de colocar as emoções para fora. O mundo está numa nova fase, eu também.

O que não saiu do acervo para a loja?

Tecidos bordados que comprei na India. Ainda não decidi o que fazer com eles.

Matéria publicada no casa.com.br