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SALAS PARA BEM ESTAR

01/10/2015

Situadas quase sempre no coração da casa, as salas de estar, integradas ou não a outro ambiente, são um bom espaço para o morador dar o seu toque pessoal. Projetadas para receber convidados, passar o fim do dia em família ou ser o local de reunião nos fins de semana, aqui elas têm um novo status: o de salas de bem estar.

São espaços que ganharam atenção especial de arquitetos e decoradores, a fim de criar o ambiente ideal segundo o gosto da família. Houve quem fizesse questão de ter um cantinho confortável para deitar, quem investisse em uma boa peça de design para os momentos de leitura e até quem lançasse mão do desafio de usar cores vibrantes com inspiração étnica, em homenagem ás origens da família.

No projeto do estúdio de arquitetura e design Meyer & Cortez, de Danielle Cortez e Natália Meyer, no bairro do Morumbi, um espaço entre o estar e o antigo terraço foi delimitado oásis dos moradores. Situado atrás do painel de madeira de demolição que abriga a TV, o canto de relaxamento guarda um futon feito sob medida e revestido com linho. Asalmofadas, nos mesmos tons presentes na sala propriamente dita, completam a produção. “É algo simples que funcionou muito bem para os moradores, que nos pediram um lugar para deitar que não fosse no sofá principal”, conta Natália.

Grandes vasos foram dispostos nas laterais do espaço, com aspargos, crássula e ficus-nigra. “A família gosta de ter verde em casa e os vasos também ajudam a delimitar a área. No restante do estar há outras espécies, com irrigação automática”, explica Natália.

A decoração do canto de relaxamento segue o mesmo conceito do estar. “Usamos o azul-marinho, uma alternativa ao preto que foi a escolha do proprietário em um primeiro momento. O tapete, feito sob encomenda, com o desenho da calçada de Copacabana é mais um pedido especial que atendemos, já que o morador é carioca.” A iluminação, totalmente automatizada, na área do futon é feita com arandelas instaladas no painel de madeira. “Na sala apostamos no LED, como nos nichos da estante, iluminados por fitas”.

O decorador Marcelo Arabe atendeu a diversos pedidos do casal de proprietários quando planejou esta sala, em uma casa em Alphaville, como concluir o laranja na paleta de cores e criar lugares para abrigar a coleção de fotografias e de objetos trazidos de viagens. E tudo tinha de estar envolto sob forte inspiração étnica. “São todos elementos um pouco difíceis de serem usados, especialmente juntos. A primeira etapa foi criar dois ambientes, aproveitando uma parte da varanda que perdeu a porta e foi integrada ao estar. Isso me deu mais liberdade para desenvolver o espaço que eles desejavam”, explica.

Na sala principal, a estratégia usada pelo decorador foi coordenar diferentes tipos de tecidos e estampas. Os móveis, de identidade visual forte, os proprietários trouxeram da antiga casa “Como conseguimos estender a sala para a área externa, coberta com o policarbonato depois da reforma, fizemos um outro ambiente, que segue a linha do ambiente interno, mas que ganhou clima por ter uma parede forrada de hera”, comenta.

Em Higienópolis, a sala de estar de um apartamento em um dos cobiçados prédios do bairro reflete a personalidade descolada e o olhar afinado de seu morador, o arquiteto Gustavo Calazans. Entre objetos que herdou da avó, como a caixa de madeira antiga que guarda o antigo aspirador de pó, as geladeiras vintage que não funcionam mais – essas estão na sala do almoço – e um grande aparador com arranjos e luminárias, está na lista de preferidas do arquiteto: uma poltrona Moleca, versão desmontável da Mole, de Sergio Rodrigues, arrematada em um bazar. “Minha sala é grande, tem 70 m², e é o lugar perfeito para festas, o que eu faço sempre. Mas eu preciso de um cantinho para ler, e essa poltrona me pareceu perfeita para criar um ambiente tranquilo em meio a isso tudo”, explica Calazans.

Avesso a regras de como deve ser uma sala ideal, Calazans gosta de propor novos usos ao objetos. “Há quem tenha objetos cênicos na sala,, como reforma de ornamentação, e quem disponha em sua casa objetos eu digam respeito à sua memória afetiva. Outros mostram suas coleções, outros se restringem a ter o mínimo. Não há regras e, para mim, todas as alternativas anteriores podem coexistir.”

Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em maio de 2015

Foto 01 - Nesta sala de estar no Morumbi, o tapete tem o desenho da calçada de Copacabana. A dupla poltronas de madeira é de Sergio Rodrigues e a mesa no centro de laca de Artefacto

Foto 02 - Nas laterais do painel de madeira de demolição que apoia a TV e a lareira, as paredes de vidro isolam o canto de relaxamento

Foto 03 - No canto para relaxar, no projeto do escritório Meyer & Cortez, o futon tem base de madeira e revestimentos de linho

Foto 04 - A área do estar tem aparador de ferro na parede da janela. A dupla de poltronas é da Forma

Foto 05 - Toques de cor surgem em acessórios para completar a decoração assinada por Calazans

Foto 06 - Na sala assinada por Marcelo Arabe, tapete de Botteh Tapetes e acessórios da Le Lis Blanc Casa

Foto 07 - Detalhe do estar, com poltrona revestida de tecido com inspiração étnica da Safira Sedas

Foto 08 - Parte da varanda foi coberta com policarbonato e agora funciona como extensão do estar