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RED STUDIOS: ESPAÇO MULTIDISCIPLINAR FACILITA A TROCA DE EXPERIÊNCIAS

25/09/2015

Em uma casa brutalista de Ruy Ohtake no Alto Pinheiros, o RED Studios congrega profissionais do Brasil e do exterior

Camila D’Anunziata nasceu no Rio, onde estudou o jornalismo e estilismo. Por mais de uma década atuou no mercado da moda, até que em 2011 resolveu se transferir para São Paulo. “Queria viver e trabalhar de outro modo. Experimentar e criar possibilidades para a experimentação. O projeto RED Studios nasceu assim", conta.

Desde de sempre atraída pela ideia de manter uma residência criativa – um local onde criativos pudessem viver por um tempo, compartilhando suas experiências -, a transferência para a capital paulista lhe pareceu a oportunidade ideal para finalmente colocar seus planos em prática. Faltava apenas encontrar a casa, propriamente dita.

“Passei um ano procurando a locação ideal. Queria uma casa que pudesse virar galeria em cinco minutos, que tivesse uma atmosfera inspiradora e, além de tudo isso, tivesse ainda ‘cara de casa’, pois pretendia morar-lá. Missão impossível. Parecia que tal casa só existia na minha cabeça”, conta Camila, que, depois de muito procurar, acabou deparando com um imóvel no Alto Pinheiros, assinado por Ruy Ohtake.

“É engraçado morar em uma casa tão forte. As pessoas se chocam com a arquitetura brutalista até hoje. Ela é masculina, funcional, simples em suas formas. Mas tem alma e isso passa para todo mundo que a frequenta. Ás vezes parece que ela foi construída para receber nosso projeto”, sabe?”, comenta ela, que hoje hospeda – ou reúne por lá artistas e designers de diferentes matizes.

A ideia é contar com um núcleo de residentes estrangeiros e um dos brasileiros. Profissionais de outras áreas, como história, filosofia e até economia, também podem participar, desde que tenham seus perfis aprovados por ela. “Acredito em trocas, sobretudo em trocas multiculturais. Todo mundo tem potencial criativo e a residência é o canal que potencializa isso”, afirma a idealizadora do espaço.

O sueco Mattias Stahlbom , por exemplo, um dos residentes da temporada de inverno 2015, é arquiteto, designer mestre em artes plásticas. Suas fontes de inspiração e criatividade vêm do banal e do cotidiano e, durante sua residência no RED Studios, pretendeu olhar mais perto o dia a dia brasileiro, para nele identificar comportamentos, materiais técnicas locais.

“No segmento de design, o RED Studios se propõe a ser um espaço exploratório de novas ideias, produtos e linguagens. Uma autêntica plataforma experimental”, pontua Camila, que queria atuar na área de mobiliário desde quando resolveu abandonar o design de moda. Sobretudo como curadora de um espaço dirigido ao design de autor.

“Cheguei à conclusão de que antes de pensar em sucesso temos de desenhar objetos que sejam relevantes para a vida das pessoas. Afinal, para que precisamos de mais uma cadeira ou de mais um sofá? Quem vai comprar”?, desafia ela. A conferir.

Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em julho de 2015

01 - A idealizadora e curadora do RED Studios, Camilla D’Anunziata

02 - Sala da casa onde funciona o RED Studios, no Alto Pinheiros

03 - Ambiente da casa construída por Ruy Ohtake, onde se reúnem talentos criativos