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QUANDO A GERAÇÃO Y VAI SE CANSAR DE COMPARTILHAR?

09/09/2015

O que a cultura de compartilhamento da Geração Y significa para o futuro da economia dos Estados Unidos? Os Millennials, como também é conhecida essa geração nascida a partir dos anos 80 até meados da década de 90, usa o AirBnb para compartilhar suas casas. Compartilha carros graças ao Uber Pool e a serviços de aluguel por hora como o Zipcar. Vai ao Rent-the-Runaway em vez de comprar roupas caras para algum grande evento. E como os integrantes da Geração Y levaram mais tempo do que se esperava para ganhar independência, eles compartilham residências, seja com os pais ou com bandos ruidosos de colegas de classe.

Hoje, no entanto, eles vêm crescendo financeiramente. Há mais deles conseguindo empregos. Na verdade, uma análise recente do Pew Research Center mostrou que, no primeiro trimestre de 2015, a maior parte da força de trabalho dos EUA era da Geração Y.

Com dinheiro no bolso, uma parte maior dessa geração que chegou ao início da vida adulta por volta do ano 2000 vem se mudando para suas próprias casas. E apesar das suposições prévias de que essa geração iria espremer suas famílias em apartamentos nas cidades, agora há dados mostrando que eles querem fazer o que muitos de seus pais fizeram: mudar-se para os subúrbios.

“A baixa demanda por compra de imóveis pelos Millennials até agora, decididamente, não é porque essa geração não tem interesse em ter casa própria, mas porque os americanos mais jovens vêm adiando o casamento e a paternidade, dois fatores fundamentais na decisão de adquirir a primeira casa”, diz o economista-chefe da Zillow, Stan Humphries. “À medida que esta geração amadurecer, vai se tornar uma força compradora de casas a ser considerada.”

E, então, temos a sequência lógica: à medida que a Geração Y se fixar em suas casas suburbanas, pode fazer sentido que compre carros – já que não é realista imaginar que essas pessoas vão alugar carros da Zipcar todo o dia para levar os filhos ao treino de beisebol. Pais ocupados provavelmente não vão ter tempo de alugar roupas para um evento especial. Em algum momento, simplesmente pode fazer mais sentido comprar um vestido e não se preocupar em devolvê-lo, ainda mais depois que a pequena Madison o babou inteiro!

O que levanta a questão: a Geração Y adotou a cultura do compartilhamento em caráter permanente?

Ou, à medida que crescer e passar a ser composta por adultos financeiramente estáveis, vai agir mais como seus pais e assumir o ‘ethos’ das compras aos montes? Ou ao menos ficar um pouco mais possessiva?

Quando a Geração Y compartilha, é porque quer ter experiências em comum com os amigos, não porque não quer ter posses, segundo Morley Winograd e Michael Hais, coautores de “Millenial Majority”.

Assim que puderem arcar com os custos, eles vão se tornar grandes consumidores, de acordo com Winograd e Hais. Uma diferença fundamental é que compram o que realmente dão valor – desde roupas a carros ou casas – em vez de apenas visitar lojas de descontos em busca de barganhas

Uma pesquisa recente da Fannie Mae com pessoas entre 18 e 34 anos mostrou que 70% dos consultados preferem ser donos de sua própria casa do que alugar, para se proteger contra o aumento dos aluguéis, segundo os autores. Além disso, os participantes da pesquisa disseram que os imóveis são um investimento melhor no longo prazo.

A razão pela qual mais pessoas da Geração Y não são donas de casa é porque têm empregos de salários mais baixos e pesadas dívidas estudantis, e não por algum tipo de reserva em relação a posses pessoais, segundo Winograd e Hais. Se a teoria estiver correta, a cultura da Geração Y de comprar mais à medida que seus recursos aumentam poderia ser uma ótima notícia para a economia.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em julho de 2015