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CORREDORES FINANCEIROS DESPERTAM INTERESSE

21/08/2015

Avenidas Paulista, Berrini, Faria Lima e suas vizinhanças atraem pela movimentação.

As avenidas Luís Carlos Berrini, Brigadeiro Faria Lima e Paulista têm algumas características em comum: são corredores empresariais e financeiros com alta movimentação de pessoas. Mas além de empresas, essas ruas da capital paulista e seu entorno imediato também concentram residências, apartamentos que despertam o interesse do público.

De acordo com o diretor comercial da imobiliária Coelho da Fonseca, Fernando Sita, as avenidas Paulista e Faria Lima são muito parecidas, pois têm atrativos importantes para o mercado imobiliário: os parques Trianon e do Povo e a mobilidade, com corredores de ônibus e linhas de metrô. “E parque é um ativo importante em qualquer lugar do mundo”, diz.

Dados do índice Fipezap, mostram que o preço do metro quadrado nos Jardins, nas proximidades da Paulista, em julho era de R$ 10.356. Segundo Sita, as ofertas de imóveis na avenida têm preço médio na comercialização de R$ 7 mil o m². “Percebo maior poder de negociação do comprador este ano. Em 2014, os descontos estavam em torno de 7% do valor pedido e hoje é de 10%.”

Na opinião de Sita, morar em centros financeiros têm muitas vantagens, pois nessas regiões também há bons restaurantes, cinemas, shoppings center, livrarias, uma infraestrutura completa de serviços.

Uma avenida que tem pouquíssimas pausas para descanso, a Paulista, foi o lugar escolhido pela empresária Christiane Alves, de 39 anos, para morar. Ela reside no local desde 1994 e gosta muito de toda a efervescência. “Eu não troco a Paulista por nada. É maravilhoso morar aqui.” Christiane, que também trabalha na Paulista, se sente à vontade com a alta circulação de pessoas, de dia e de noite, inclusive aos finais de semana. No entanto, ela destaca que com a chegada de novos shoppings e prédios comerciais a avenida está mais movimentada.

“A Paulista sempre foi agitada e eu gosto disso, é muito legal e tem uma diversidade muito grande”, diz a empresária. Ela ressalta que consegue fazer praticamente todas as atividades do dia a dia, inclusive ir trabalhar, andando.

Assim como a maioria do imóveis residenciais da Paulista, o de Christiane tem área útil acima de 100 metros quadrados, com vaga de garagem, que é um diferencial, uma vez que muitas unidades não oferecem vaga, tampouco espaço de lazer. “Área de lazer não é importante para mim, eu gosto de ter um apartamento grande”, diz .

Em relação a oferta e procura de apartamentos, a empresária conta que, às vezes há mais imóveis para locação do que para venda em seu edifício. “A procura é intensa, os prédios são bem valorizados”, diz.

Nada parecido. Segundo Sita, da Coelho da Fonseca, a Paulista tem apartamentos irreplicáveis, com pé direito alto, janelões, alta visibilidade e luminosidade. “São 36 empreendimentos residenciais, construídos entre 1960 e 1970.”

Os corredores financeiros da capital paulista têm toda a infraestrutura de transporte público: ônibus, metrô, trem e ciclovias. “Por isso essas regiões e avenidas continuam tendo procura. O que muda de uma região para a outra é apenas o tipo de produto ofertado.”

Segundo ele, na Avenida Paulista, por exemplo, que tem imóveis construídos na década de 1970, são apartamentos com metragem média de 200 metros quadrados. Sita ressalta que a Paulista ainda tem um diferencial, os imóveis de fundo tem umas das vistas mais bonitas da capital, o parque do Ibirapuera e os Jardins. Estas, segundo ele, são as vantagens: a proximidade do verde, a mobilidade e o apartamento grande.

Arredores. O empresário João Teodoro Arruda de Araujo mora há 20 anos em uma travessa da Avenida Brigadeiro Faria Lima. “Quando vim para cá, a Faria Lima já estava consolidada. Eu vi nascer a Nova Faria Lima do lado do Itaim e do Largo da Batata, em Pinheiros”, diz.

Ele conta que se mudou para a região pelas características da vizinhança. “Eu sou urbano por excelência, eu gosto de cidades. Eu gosto de campo só para passear, para morar não”, diz.

Araujo gosta das facilidades que o corredor financeiro lhe proporciona e a possibilidade de fazer tudo a pé, inclusive de ir andando para o escritório que fica na Faria Lima.

“Eu gosto muito daqui, meu barbeiro é aqui, meu banco é aqui, faço tudo a pé”, diz o empresário que reconhece que não se incomoda com o barulho, o agito do corredor financeiro. “Eu gosto da facilidade. A gente acostuma até com o avião que passa em cima de casa. A gente se adapta e nem percebe”, diz.

Região da Berrini mescla antigo e moderno.

Com menor tradicionalidade que a Avenida Paulista e até a Faria Lima, a Avenida Luís Carlos Berrini ocupou o posto de corredor financeiro na capital e levou consigo muitos empreendimentos residenciais. O bairro do Brooklin, que abrange parte da avenida, tem imóveis com metro quadrado médio de R$ 10.395, segundo índice Fipezap.

No corredor que se estende até o shopping Morumbi, na Avenida Chucri Zaidan, continuação da Berrini, encontramos o bairro Chácara Santo Antonio, local que o empresário Kleber Pereira Sena, de 34 anos, escolheu para morar.

“Quando eu comprei o apartamento, há sete anos, o bairro estava em expansão. Eu buscava um apartamento bem localizado, com infraestrutura de comércio, serviços e nas proximidades do Brooklin, onde eu e minha mulher trabalhamos”, diz.

Segundo ele, além da Berrini, umas das maiores vantagens é o bairro estar em crescimento. Ele conta que depois da compra, o imóvel valorizou em 100% do valor pago.

“Nós temos bons restaurantes na região, que nos proporcionam uma vida social durante a semana e no final de semana o bairro muda, não tem muito fluxo de carro e as ruas ficam mais tranquilas. Um bairro movimentado de segunda a sexta e tranquilo ao final de semana.”

A região continua em expansão, com a extensão de avenidas e a chegada de novos empreendimentos, o que não preocupa Sena. “O bairro ainda tem muitas casas e algumas ruas de paralelepípedo que dividem espaços com os prédios novos e modernos”, diz. O preço do m² do bairro é de R$ 8.625.

matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em 16 de agosto de 2015.