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‘LAB’ É A PALAVRA CONTEMPPORÂNEA PARA DEFINIR INOVAÇÃO

18/08/2015

Há casa noturna, cafeteria, propaganda de "cookie", escritório de arquitetura, perfumaria. Todos levam no nome a extensão "lab". O termo foi sendo apropriado por quem quer mostrar que está inovando e experimentando ou para simplesmente traduzir um sentido de contemporâneo.

Há o desejo do consumidor em saber como as coisas são feitas e, ao mesmo tempo, de ser surpreendido. Há empresas que passaram a chamar os seus departamentos de pesquisa de "lab". E outras que até decidiram mostrar como realmente funciona sua "cozinha". Assim, "lab" (de laboratório) ganhou quase o status que "cool" teve na história recente do vocabulário "trendy". "Lab" é a busca por soluções, é a antecipação do futuro, é de onde pode vir uma surpresa. Ou um carimbo comercial por quem quer convencer de que tem algum frescor a oferecer.

O Magazine Luiza tem o Luizalab, onde vende soluções em "e-commerce" para terceiros. A plataforma virtual Farfetch abriu sua divisão "lab" para mapear como as pessoas consomem e transformar esse conhecimento em produto. A rede australiana de shopping Westfield tem seu "lab" para estudar as inovações do varejo. Mas veja como o conceito se expande. Para mostrar como seus "cookies" são saudáveis, a Nutry lançou uma campanha de internet chamada Nutry Labs e o vídeo foi gravado na própria fábrica.

É esse o caminho que pretende trilhar a fabricante de denim Canatiba, com quatro plantas fabris em Santa Barbara do Oeste, interior de São Paulo. São 120 milhões de metros por ano para atender a mais de 3 mil clientes ativos. A empresa não gosta de citar marcas (vai que alguma fica ofendida por ter sido esquecida), mas sabe-se que seus tecidos estão em produtos da Ellus, Carmim, Richards e muitas outras já consolidadas no mundo da moda. Assim, a fabricante deve deter 30% do mercado nacional, além de exportar 5% da sua produção para Estados Unidos, Europa e África. A Canatiba tem 35 anos e faz mais de cem lançamentos por ano em denim. Mas poucos consumidores sabem.

Foi assim que Vanessa Covolan, que cuida do "marketing conceitual" da companhia, propôs um projeto que trouxesse o consumidor para mais perto da marca. No ano passado, ela chegou a organizar um evento para os especialistas em moda para mostrar o potencial dos denins fabricados pela empresa. Mas, para traduzir com mais eficiência o quanto de inovação eles trazem, ela decidiu criar o quê? Um "lab".

"O Canatiba Lab é uma proposta de experimentação, de extrapolar as fronteiras do jeans. Unir a melhor matéria-prima com a excelência do design. Estamos convidando designers e artistas para criar com nossos tecidos. E dessa forma vamos conseguir traduzir o quanto a Canatiba é uma empresa inovadora. Não há uma tecnologia nova que desponte no mercado que a empresa não invista", afirma ela, que é uma das herdeiras do grupo.

O projeto começou há um ano e reúne três criadores na primeira fase. A rendeira Almerinda Maria, que tem seu ateliê de alta-costura em Fortaleza (CE), trabalhou as possibilidades artesanais do denim. Com o fio do índigo, uma equipe de artesãs teceu rendas nas tramas renascença e richilieu, que depois foram aplicadas num vestido de jeans. "Foi uma desconstrução e uma construção."

A estilista Fabiana Milazzo, por exemplo, trabalhou com a malha do denim e fez peças bordadas com pedrarias. Suas criações são uma "expressão de alta-costura" em jeans. "A proposta é mostrar o quanto o denim pode ir além da calça. E as peças mostram todo o potencial do tecido, o movimento que ele pode proporcionar."

A artista plástica Silvia Ulson usou o jeans como tela. Os tecidos funcionam como suporte para sua expressão, numa "explosão de cores". "Aí já caminhamos para o patamar do jeans como obra de arte."

As peças serão apresentadas no showroom da companhia em São Paulo, no dia 25 de agosto, e também nos ateliês de cada artista num calendário específico. As experimentações podem ou não entrar na linha de produção de cada criador. Mas, para Vanessa, o Canatiba Lab, como uma plataforma criativa, cumpre sua função "ao incentivar a inovação têxtil".

"É muito gratificante ver que o jeans, que já é tão democrático, uma solução na vida das pessoas, possa ser apresentado de formas tão surpreendentes e inspiradoras." E você? Já tem um "lab" para chamar de seu?

matéria publicada no jornal Valor em 12 de agosto de 2015.