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REAPROVEITAR VIROU NECESSIDADE

13/08/2015

Assim pensa o arquiteto Vitor Penha, que destina novo uso e objetos e móveis a fim de evitar o desperdício, bem como o emprego excessivo de recursos naturais. De quebra, ele é um apaixonado pelos sinais da passagem do tempo.

Tijolos descascados e pintados de branco sobressaem no apê de Vitor, que comprou os bancos no centro paulistano. O sofá foi desenhado pelo profissional.

A busca por alternativas de construção e decoração conscientes não representa novidade na carreira de Vitor Penha, adepto do urban destroyed desde que se formou em arquitetura. “Já em meus primeiros trabalhos, em 1996, adotei a reutilização de materiais e investi no garimpo de peças”, lembra. “Hoje, o movimento não somente significa uma tendência mas também a necessidade de produzirmos menos entulho”, completa. Ele levou a experiência ao apartamento em que mora, nos Jardins, e fala que mergulhar no estilo de demanda um olhar sensível, capaz de enxergar poesia além da dureza dos materiais. “Marcas do tempo e imperfeições contam histórias, e é esse envelhecer que deixa tudo tão belo”, diz.

“Uma obra que nasce desgastada já surge com outro olhar – e envelhece muito bem”.

Vitor Penha – Arquiteto.

No quarto de hóspedes, a poltrona fica encoberta pela colcha de crochê, arte da mãe do morador. Ao lado do móvel, o banquinho metálico serve de apoio.

As paredes do banheiro perderam os azulejos, porém a bancada ganhou charme com a cerâmica antiga (Gail). O espelho veio de Itu, e as arandelas são de reuso.

Penduradas ou apoiadas no chão, fotografias de viagens, a maioria clicada pelo arquiteto, ajudam a recordar momentos e povoam a decoração com memórias.

matéria publicada na revista Casa Claudia Junho de 2015.