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APARTAMENTO TEM JEITO DE LOFT COM PAREDES DETONADAS DE PROPÓSITO

05/08/2015

O tom industrial, com paredes descascadas e colunas de concreto expostas, não acontece por acaso neste apartamento. O proprietário, que morou por muitos anos nos Estados Unidos, importou o visual dos lofts gringos.

A estante tingida de preto expõe livros e objetos trazidos de viagens. Modular, o sofá (Carbono) funciona bem para ver TV e receber amigos.

O aparador e o tapete foram garimpados pela Sonho do Rei.

Foi em Portland, cidade da costa oeste dos Estados Unidos onde passou uma longa temporada estudando nos anos 1990, que o empresário carioca Valdir Oliveira se apaixonou pela estética dos galpões industriais da região – muitos deles transformados em bares, restaurantes e lojas. Desde então, cultivou a ideia de montar sua futura casa com algo desse clima despojado. Quando decidiu comprar um imóvel em São Paulo, seu endereço de trabalho durante parte da semana, encontrou este apartamento de 75 m² num prédio da década de 1940, no bairro dos Jardins. A base já era bacana, cheia de detalhes de época, mas faltava a atmosfera de loft com a qual sonhava. “Achei a planta bastante compartimentada e sem a minha cara”, afirma. Por isso, os arquitetos Thiago Tavares e João Duayer foram contratados para a reforma e propuseram derrubar paredes mantendo os elementos estruturais à mostra, o que garantiu o visual desejado. Enquanto acontecia a obra, Valdir não se descuidava da decoração: em suas viagens, resolveu sair à caça de peças especiais. “Sou fã de mercados de pulgas. Nesses locais, descubro objetos detonados incríveis, capazes de conferir mais personalidade aos ambientes”, conclui.

Diversos itens que lotam a estante foram comprados por Valdir em feiras de antiguidades pelo mundo. “Também recorro à minha amiga Andréia Guimarães, da Sonho do Rei, que vasculha raridades em brechós”, conta. As esquadrias foram pintadas de preto na face interna. Já o piso recebeu tábuas de demolição (Brasil Jacarandá).

A mesa lateral vintage acomoda o arranjo de galhos de cerejeira. Na parede, obras geométricas de Hércules Barsotti (1914-2010), à venda na Loja Teo. Almofada da Dialma Brown.

A salamandra de ferro (Cottage) funciona a gás.

Chapas de aço oxidado compõem a cabeceira, que apoia o quadro do artista Weedzor. Roupa de cama da Trousseau.

Acima da bancada, pendentes metálicos (Gabinete Duilio Sartori) asseguram a luz pontual. Em contraste com a cerâmica branca (Antigua), o rejunte preto ressalta o assentamento do tipo tijolinho.

Junto ao balcão com base de concreto e tampo de madeira de demolição, as banquetas (Desmobilia) já pertenceram a uma velha fábrica de fósforos. “A cozinha, integrada ao estar na reforma, ganhou azulejos retangulares que remetem às estações de metrô de Nova York”, Valdir Oliveira, Morador.

Ladrilhos hidráulicos (Euroville) desenham o padrão xadrez no piso da área em frente ao fogão. Feitos sob medida, os armários de visual retrô foram tingidos de laca cinza (execução da Woodtech Marcenaria, que também confeccionou a estante da sala). “O tanque da lavanderia desempenha papel duplo, pois serve, ainda, de pia para o lavabo”, diz João.

matéria publicada na revista Casa Claudia em maio de 2015.