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JACARÉ DA LACOSTE BUSCA ALTA-COSTURA E PÚBLICO JOVEM

03/08/2015

O português Felipe Oliveira Baptista, estilista da Lacoste desde 2010.

Um jacaré entrou no seleto mundo da alta-costura. O tenista campeão René Lacoste certamente não havia imaginado que as polos criadas, por ele, há mais de 80 anos, para substituir as camisas engomadas e com tecidos abafados usadas nas quadras, se transformariam um dia em luxuosos modelos, feitos à mão, em centenas de horas de trabalho, e que custam milhares de euros. A marca acaba de lançar uma coleção “couture” em parceria com a também francesa Lesage, a maior referência mundial na arte dos bordados, fornecedora há décadas dos grandes nomes da moda e comprada pela Chanel em 2002.

Já faz tempo que a marca do crocodilo deixou de ser ligada apenas à prática esportiva e se tornou um estilo “descontraído chique” que pode ser usado diariamente, seja no escritório ou seja em um evento noturno. Com essa nova coleção de peças bordadas à mão, que celebra os 50 anos do lançamento da polo feminina, a grife deu um salto considerável na estratégia de sofisticação de seus produtos, adotada há alguns anos.

Não é a toa que os modelos criados pelo estilista da Lacoste, o português Felipe Oliveira Baptista, em parceria com a Lesage, sinônimo de obra-prima na arte dos bordados, foram apresentados em Paris no mesmo período dos desfiles de alta-costura, em um evento no Palais de Tokyo, badalado centro de arte contemporânea da capital.

Alguns materiais utilizados nos bordados são inusitados: plexiglas cortado a laser, espelhos, diodos luminescentes ou ainda incrustações em 3D feitas com resina, o que levou a renomada “Maison” Lesage, mais acostumada a paetês e pedrarias sofisticadas, a ter de adaptar suas técnicas de costura.

Para alguns, isso demonstra que as técnicas da alta-costura se ambientam bem na moda cotidiana. “Às vezes surge um óvni como a colaboração entre a Lacoste e a Lesage e podemos dizer que é saudável se aventurar longe das esferas confinadas do luxo”, afirma jornal “Le Monde”.

matéria publicada no jornal Valor em 15 de julho de 2015.