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QUERO REFORMAR MEU APARTAMENTO

28/07/2015

Tem gente que faz de tudo para fugir de uma reforma. Para os donos deste apê, em São Paulo, foi o contrário: eles compraram um imóvel detonado de propósito, só pelo prazer de quebrar tudo e renovar o visual. Projeto do escritório Casa 14 em 135 m².

Após a reforma, que eliminou as divisões, as salas de jantar e de estar e a cozinha se conectaram em um espaço só. A cozinha pode ser fechada com a porta pantográfica de peroba rosa. Tapete da Phenicia Concept.

Ninguém quer pensar em obra quando vai comprar um apartamento. Mas a designer Marina Salles e o videomaker Johnny MacFarland, ambos de 34 anos, buscavam exatamente um que pudesse ser demolido para ganhar a personalidade deles desde a planta. Sim, sempre tiveram vontade de encarar uma reforma. Quando se depararam com o imóvel dos anos 1970 de 135 m², no Morumbi, em São Paulo, bem deteriorado, com ambientes mal divididos, janelas em arcos, a reação foi imediata: fecharam negócio. A prioridade era integrar as áreas de receber, acabar com a escuridão que tomava conta do projeto anterior e imprimir o estilo deles: descolado, contemporâneo e luminoso.

Porta pantográfica camuflada.

Nas mãos das arquitetas Mariana Andersen e Mariana Guardani, do escritório Casa 14, as ideias foram além. Derrubadas as paredes entre as salas de estar e de jantar e um dos três quartos, tudo ficou aberto, incluindo a cozinha, que seria o coração pulsante da nova morada e receberia destaque de cores. O casal ama cozinhar. “Vivenciamos bastante a casa toda”, conta Marina. Daí surgiu a questão – e quando eles quisessem se arriscar em receitas que espalhassem cheiro forte pelas demais áreas? A solução foi instalar a porta pantográfica, que veda o ambiente nessas horas. De quebra, ela fica na mesma parede em que estão as entradas para os outros quartos e, por isso, segue o mesmo tom de madeira. Um truque esperto das profissionais foi camuflar os trilhos da pantográfica na prateleira de Drywall. Acima dela, acessórios da dupla são exibidos de forma estilosa. “Foi uma estratégia também para esconder a viga estrutural, que ficaria aparente”, conta Mariana Andersen.

Suíte ganha janela e fica mais clara.

No quarto do casal, outra esperteza: a suíte, antes escura, ganhou uma janela de vidro para entrada de luz. Da cama vê-se a banheira. Mas é no amplo living que ficam as paixões de Marina e Johnny: os instrumentos musicais dele, equipamentos de trabalho, os móveis desenhados por ela – vide a bela estante que acomoda toys art – e as plantas, novo hobby, descoberto após a mudança. Cheio de escolhas deversatilidade, o projeto teve forte influência do casal, em parceria afinada com o escritório de arquitetura, como resume Mariana Andersen. “O apartamento ficou flexível, inspirador, moderno, como os moradores.”

Os moradores se preparam para mais uma receita na ilha, que tem painel de azulejos da Lurca, com paginação feita por eles. Mesa de jantar de madeira de demolição, design de Marina Salles e, sobre ela, centro de mesa da LS Selection.

No sofá, almofadas da Conceito Firma Casa (xadrez) e da Dialma Brown. A estante foi desenhada por Marina Salles.

Tudo à mão na cozinha: avental, pano de prato, temperos e acessórios contrastam com a parede na cor Carvão, da Suvinil.

De madeira laqueada e corda náutica, o espelho é criação da moradora Marina Salles. Na parede, tinta Cinza Urbano, da Suvinil.

De papelão, a cabeça de cervo foi trazida de viagem. No chão, as plantas que os moradores cultivam.

O fundo da sala tem parede de tijolinhos, da Cia das Telhas, onde o morador gosta de expor seus instrumentos musicais. A poltrona herdada da família ganhou rodízios.

Antes em arcos, as aberturas do apartamento para o exterior foram camufladas por cortineiros de linhas retas. O carrinho de chá, design de Paulo Alves, tem terrários do Jardim no Pote.

No jardim escalonado, espécies adquiridas em Holambra e vasos com temperos diversos formam a horta vertical.

A miniatura de baterista dá graça ao terrário.

Sobre a cabeceira, o nicho exibe objetos do casal. Escultura Urso, de resina, e cachepô Diamante, da LS Selection. Roupa de cama, manta e toalha da Trousseau.

Sobre o criado-mudo Beto, de tauari, design de Paulo Alves, estão o quadro da Urban Arts Vila Madalena, pote da Blue Gardenia e luminária da LS Selection.

No nicho, sais e espuma de banho da Trousseau. Sobre a bancada de nanoglass, vela, sabonete e home spray da Blue Gardenia.

matéria publicada na revista Casa e jardim em abril de 2015.