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ATÉ QUE ENFIM, LAR, DOCE LAR!

21/07/2015

A história é muito comum: depois de conquistar o apartamento próprio, o casal levou anos até deixá-lo do jeitinho que queria. Já o resultado ficou bem longe do banal – hoje, não faltam ideias cheias de personalidade por aqui.

Desde 2011, o apê de 52 m2 dos jornalistas Cecilia Arbolave e João Varella, em São Paulo, tem sido não só lar, mas também um misto de escritório, pousada e cineclube. Ao longo desse período, o casal focou na decoração da sala, que foi tomando forma a conta-gotas. “Até que, no ano passado, depois de muita paciência e poupança, embarcamos em uma reforma radical de banheiro, cozinha e área de serviço”, conta Cecilia. A espera valeu a pena: o imóvel ficou na medida para o casal continuar a tocar os projetos de sua editora de livros, hospedar a família e reunir os amigos para a sessão pipoca.

Uma ação, dois ganhos.

A única divisória demolida ficava entre a cozinha e a lavanderia (1). Agora, apenas uma porta de correr de vidro isola esses espaços. A medida permitiu a transferência do botijão de gás para a área de serviço – a tubulação atravessa a parede – e, consequentemente, a criação de uma bancada bem mais espaçosa (2).

Dicas da moradora

Adeus, penumbra

“Havia apenas um pendente antiguinho na sala – ele não iluminava direito o estar e ainda deixava o jantar às escuras. A boa sacada foi substituí-lo por spots direcionáveis com dímer correndo em um trilho, e instalar um pendente sobre a mesa de refeições. Daí, fez-se a luz!”

Mal que veio para o bem

“Durante a reforma da cozinha, o piso laminado da sala foi danificado. Por se tratar de uma área grande, não compensaria fazer o reparo. Os móveis já estavam embalados, então, aproveitamos para trocá-lo todinho. Escolhemos um modelo similar, mas com aparência mais rústica ( Eucafloor Prime , padrão Carvalho Valência, da Eucatex), fugindo do tom alaranjado original.”

Esconde-esconde

“Não gostávamos muito do rodateto. Quando pintamos a parede de cinza, resolvemos tingi-lo também para deixá-lo menos aparente”.

Marcenaria inteligente é a estrela na ala social

Cômodo mais usado do apartamento, a sala foi o ponto de partida da renovação. Para ocupar sua parede mais extensa, o arquiteto Gustavo Capecchi desenhou um móvel multifuncional – composto por diversos módulos, ele atua como bar, mesa de refeições, rack, escrivaninha e estante, além de acomodar taças, eletrônicos e até um colchão inflável para visitas.

Outro segredinho: retrátil, a mesa pode ser aumentada em 60 cm, passando a abrigar seis pessoas em vez de quatro. Nessa configuração estendida, a passagem fica um pouco prejudicada, mas vale a pena nos dias de festa. A parede pintada de cinza (Cosmos, ref. 00NN 16/000, da Coral) destaca ainda mais o móvel.

Peças de designers consagrados marcam presença, como as cadeiras de Charles Eames (arrematadas no leilão virtual Sold), o banco de George Nelson – usado como mesa de centro – e a poltrona de Vladimir Kagan (City Design).

Antes e Depois:

Depois:

Custo x necessidade.

“Para uma reforma radical das áreas molhadas, contratamos a arquiteta Ana Luiza Almeida Prado Sawaia. O primeiro projeto previa uma inversão de posições no banheiro: o chuveiro e o vaso, localizados na parede maior do cômodo, seriam transferidos para a superfície oposta, onde está a pia, e vice-versa. O objetivo era favorecer a circulação e, de quebra, ampliar o espaço para a pia. Embora eficiente, a solução encareceria muito a mão de obra. Por isso, solicitamos à Ana uma nova proposta, que conseguiu promover a renovação do ambiente sem custar tanto.”

Aprovados no teste do cotidiano.

“Dentro do boxe, duas soluções se revelaram bastante úteis. Uma foi o nicho escavado na alvenaria e revestido do mesmo porcelanato do piso e das paredes – ideia copiada de uma matéria de capa de Minha Casa [Outubro/2012] –, que acomoda itens de banho. A outra foi o ralo linear (de 50 cm, da Tigre). Além de mais bonito e discreto que os convencionais, é mais higiênico – você não corre o risco de pisar nele.”

Clean e funcional, com uma pitada de vibração.

Após a retirada de todos os azulejos antigos, as paredes foram emassadas e, então, pintadas com tinta acrílica branca – com exceção da área do boxe, que recebeu o mesmo porcelanato cinza do piso. No caso desse revestimento, a opção por peças grandes teve razões práticas e estéticas. “Há menos interferência de linhas de rejunte e, com isso, maior unidade visual”, defende Ana Luiza.

Além de dar vida ao ambiente, o gabinete com acabamento roxo ajuda a manter tudo organizado. Mais estreito, o módulo lateral com prateleiras contribui para a circulação.

No dormitório, mudanças pontuais trazem mais luz e conforto.

Encaixada no vão do armário do tipo capelinha, a cabeceira sob medida apoia livros e outros itens. Uma fita de LED instalada atrás dela oferece iluminação indireta.

A fim de ampliar a claridade, o ponto de luz central do cômodo foi dividido para a instalação de dois pendentes – a fiação ficou escondida na parede e no armário.

As almofadas feitas com tecido estampado conferem um toque divertido ao ambiente.
Sem tempo para otimismo.

“Todo mundo repete, mas ninguém gosta de ouvir: reforma atrasa. Calculamos que a nossa demoraria um mês, período em que moramos na casa de amigos. Marcamos uma data para voltar, ignorando imprevistos. Foi um erro, pois acabamos tendo de viver durante 15 dias em meio à poeira. Não dava nem para cozinhar, pois ainda não havia bancada na cozinha.”

Gasto que compensa
“Pesquisamos móveis prontos, mas nenhum conjunto tirava total proveito da metragem da cozinha. Por isso, a marcenaria foi um investimento que valeu a pena – especialmente no caso do gabinete da pia, em L, e dos módulos magrinhos [na parede oposta], que não prejudicam a circulação.”

Macetes na hora da compra
“Quando for ao homecenter, leve impresso, os preços cobrados por lojas virtuais, pois às vezes a diferença é grande, e algumas lojas físicas conseguem cobrila. Também dá para economizar comprando cubas e ferragens de portas à parte – foi o que fizemos na cozinha e na lavanderia.”

Novas cores e padrões fizeram a diferença

Tinta acrílica em tons de verde (Jardim Secreto, ref. 70GY 46/120, da Coral) e cinza (Cinza Granito, ref. 00NN 37/000, da Coral) e pastilhas cor-de-rosa formam a nova paleta, definida a partir de um exercício prático – a observação de elementos e objetos já existentes no apê. “Escolher cor olhando catálogo é muito difícil, pois acabamos perdendo a referência depois de ver tantas opções em degradê”, observa Ana Luiza.

A troca do aço dos antigos armários prontos pela combinação de compensado aparente e laminado branco dos novos móveis sob medida trouxe um visual mais acolhedor.

O piso é o mesmo porcelanato do banheiro, criando unidade entre esses ambientes, do mesmo modo que o padrão amadeirado do piso da sala se repete no quarto. “Gosto de pensar no apartamento como um todo, daí essas escolhas”, justifica a arquiteta.

matéria publicada na revista Minha Casa em junho de 2015.