English Version

IMÓVEL DE ALTO PADRÃO DRIBLA CRISE NO RIO

21/07/2015

Existe até fila de espera em endereços nobres da cidade, como Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca.

A crise no mercado imobiliário, comprovada pela queda de 8, 5% na arrecadação do Imposto de na arrecadação do Imposto de Transmissão de Bens Imobiliários (ITBI) entre janeiro e maio em relação ao mesmo período de 2014 (-15,2% só em maio), ainda não se refletiu no preço dos imóveis do Rio de Janeiro. Na prática, segundo fontes do mercado ouvidas pelo Valor, sequer chegou em algumas regiões da cidade, onde o interesse por imóveis de alto padrão chega a gerar listas de espera.

Há 40 anos no mercado imobiliário, Leila Bogoricin, da Bogoricin Consultoria de Vendas, explica que esse mercado praticamente um nicho, restrito às orlas de Ipanema e Leblon, e alguns (poucos) endereços nobres distribuídos entre outros bairros da Zona Sul e da Barra da Tijuca. Segundo ela, as ofertas são divulgadas no boca a boca, sempre em menor número do que o de interessados.

“Houve uma pequena retração, mas os negócios estão acontecendo. O problema é que tem comprador que quer comprar imóvel premium a preço de galinha morta, e isso não esta acontecendo”, diz, lembrando que que nesse mercado as vendas acontecem para o vendedor mudar de posição, ou seja, faze outra coisa com o dinheiro. “Ele não precisa vender. Se o preço não estiver bom, deixa como está”. Isaac J. Elehep, sócio diretor da construtora Mozak, especializada em imóveis de alto padrão no Leblon, diz que o mercado está mais calmo do que no período pré-crise, mas as vendas continuam acontecendo. Seu mais recente empreendimento, um edifício com 12 unidades, todas de dois quartos e 121 metros quadrados, ao preço médio de R$ 3,5 milhões, teve quase todas as unidades vendidas ainda no pré-lançamento. Restaram apenas duas para o lançamento.

A rua Igarapava, onde fica o lançamento da Mozak, fica na região conhecida como Alto Leblon, uma das mais valorizadas da cidade. É um conceito desenvolvido na década de 50 pelo empresário Carlos Carvalho, o mesmo que trabalha hoje para consolidar condomínios como o península construídos entre a Barra e a região conhecida como Baixada de Jacarepaguá, como parte de uma Barra tão glamourosa como a da Orla. No alto Leblon, o custo do metro quadrado pode chegar a R$ 40 mil, bem próximo da Delfim Moreira, onde os preços estão na faixa de R$ 50 mil o metro quadrado.

“O mercado está mais calmo, é preciso negociar muito dinheiro represado, com as pessoas esperando o preço baixar. Tenho lista de espera para novos lançamentos” diz Elehep, que não acredita em uma queda significativa. “Os preços continuam sendo corrigidos pela inflação”.

De forma geral, levantamento no site Zap, eu calcula o índice Zap Imóveis a partir dos valores de metro quadrado ofertados, mostra que a disposição dos vendedores para baixar preços ainda é pequena, mas eles não estão conseguindo acompanhar a inflação. Os preços no Rio subiram 3,3% em 12 meses e ficaram praticamente estáveis em maio ( queda de 0,1%). No Leblon, a alta foi de 2,2% em 12 meses e 0,2% em maio. Já em Ipanema, houve queda de 1,5% em 12 meses e variação de 0,3% em maio.

João Paulo Matos, presidente da construtora Calçada e da ADEMJ-RJ, diz que a valorização dos últimos anos não se perdeu. Os preços apenas estabilizaram “A procura por imóveis nessas regiões continua esquecida . Bairros como Botafogo e Jardim Botânico ganharam mais importância no cenário da construção, assim como Ipanema, Leblon e Lagoa que já figuravam entre os bairros mais cobiçados. Não há praticamente terrenos disponíveis para construções, o que explica, em parte, a liquidez”, destaca.

“Difícil na zona sul não é achar comprador, é achar terreno. E essa negociação (com os donos de terrenos), o esfriamento da economia mas ajudou”, confirma o sócio-diretor da Mozak.

matéria publicada no jornal Valor em 14 de julho de 2015.