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LIMITES DIGITAIS

16/07/2015

Luiz Alberto de Carvalho cresceu com um prognóstico: se não tomasse muito cuidado, um dia perderia a visão. Preferiu aproveitar a infância e a juventude e, hoje, circula por São Paulo com a ajuda de seu cão guia e de um aplicativo acessível, ainda uma raridade em meio aos apps lançados.

Segundo dados do Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,5 milhões de pessoas possuem alguma deficiência visual no País. O número inclui pacientes cegos e os com baixa visão, parcela da população que tem acessado mais facilmente os espaços urbanos graças a aplicativos de celular. Luiz Alberto de Carvalho que, depois de cego, graduou-se em economia e concluiu mestrado e doutorado na área é um desses usuários. “Sempre fui independente, mas enfrentava algumas limitações. Tenho cão-guia há 41 anos, então conseguia me locomover bem por São Paulo. Porém, se precisar esse ir a um lugar novo andando ou tomar um ônibus, dependia da ajuda de alguém para me dizer onde estava e o momento exato em que precisava subir e descer do coletivo”, conta. Essa história ganhou outro rumo quando Luiz Alberto baixou o programa Ariadne GPS (espécie de localizador; ícone abaixo) no celular e começou a ouvir o endereço em que o ônibus estava. A partir daí, soube quando tinha de sinalizar a fim de descer. No entanto, ainda há muitos desafios para os apps serem efetivamente acessíveis. “Existem ferramentas que facilitariam muito a vida do deficiente visual, mas que não são pensadas para nós. Os programas que chamam táxis, por exemplo. Neles as informações estão representadas por imagens sem correspondência sonora, logo um cego não consegue saber se um carro está disponível”, explica ele, que ainda aponta dificuldades extras pela frente: “Aplicativos para a smartphone podem auxiliar na tarefa da inclusão, contudo, ainda assim, são incapazes de corrigir problemas como calçadas irregulares, ruas esburacadas e árvores no meio do caminho. Embora a tecnologia facilite o acesso à cidade, não dá conta de fazer isso sozinha.

matéria publicada na revista arquitetura & construção em maio de 2015.