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A REFORMA VAI COMEÇAR, PARA ONDE EU VOU?

16/07/2015

Planejamento feito antes de iniciar as mudanças no imóvel deve prever gastos com a possibilidade de ficar fora de casa durante as obras.

NEW YORK TIMES

Às vezes, construir a casa que você sempre desejou exige que viver uma existência de nômade. Enquanto muita gente passa meses projetando a reforma, até a escolha da torneira do banheiro e o acabamento dos pisos de madeira de lei, poucos se preocupam em encontrar um lugar para ficar quando a equipe de demolição chegar.

“Em geral, esta preocupação é secundária, e aparece quando se começa a falar no prazo da obra”, disse Lauren Rubin, arquiteta de Nova York especializada em reformas de residenciais. “Muitos subestimam o tamanho da reforma que pretendem e o caos que ela causa.”

Embora em alguns casos seja possível permanecer na casa durante os trabalhos, em outros casos não é viável. Por exemplo, quando é preciso derrubar paredes ou rasgar a casa de alto abaixo, talvez seja necessário arrancar os pisos e trocar o encanamento e a instalação elétrica. É preciso considerar o problema do que fazer com a mobília e seu conteúdo. Estes custos podem ir crescendo rapidamente, tornando uma reforma que já é cara, mais dolorosa.

Quando Joe e Carol Shaheen começaram a planejar a reforma de seu apartamento de dois quartos, em Manhattan, no início deste ano, acharam que poderiam continuar morando no apartamento, adquirido por eles em 1995. Sequer pensaram na sujeira e na destruição que teriam de suportar. “Fomos tão ingênuos”, disse Joe.

A obra, que custará cerca de US$ 300 mil, inclui uma nova cozinha, a reforma dos quartos e da sala de jantar, instalação de uma lavadora e secadora e a reforma dos pisos de madeira. “Quando nossa empreiteira nos mostrou a realidade da situação, nos convencemos de que teríamos de sair.” Eles pensaram em subalugar um apartamento do vizinho no mesmo edifício, e pesquisaram em sites, mas não conseguiram encontrar uma solução adequada as suas necessidades. Então, começaram a se informar sobre valores em hotéis. A apenas uma quadra de sua casa encontraram uma suíte de um quarto por cerca de US$ 6 mil por mês. O valor de um espaço semelhante em outro hotel próximo era mais do dobro.

Já as estimativas do custo da retirada e armazenamento dos seus pertences variavam de maneira impressionante, de US$ 6 mil a US$ 25 mil. No fim, pagaram uma empresa de mudanças para retirar os móveis do apartamento e colocá-los no dormitório master, que foi selado com plástico. A empresa se encarregou, também, de embrulhar e encaixotar pequenos objetos e proteger os estofados com plástico. Tudo isto saiu por US$ 800.

O casal agora mora em sua casa de praia, em Jersey Shore, e vai semanalmente para a cidade para acompanhar a obra. Se tudo correr de acordo com o plano, eles mudarão no apartamento renovado em agosto. A reforma foi projetada por Kyle Wells. “Foi uma tonelada de dinheiro”, disse Joe.

West Chin, um arquiteto de Nova York, disse que nas obras que envolvem vários cômodos, ele adota uma norma: “As pessoas nunca devem viver no meio das obras, se isto for viável do ponto de vista financeiro”. Mesmo que as empreiteiras tentem reduzir a sujeira da construção usando barreiras de plástico, ele adverte: “O pó sempre consegue penetrar em todos os cantos do apartamento, tornando a vida ali um pesadelo”, diz.

“Se você é casado, isto não será bom para o casamento”, afirmou. “Se tem filhos, não fará bem para as crianças”. O que não quer dizer que os clientes de Chin deem sempre ouvidos a ele. Alguns decidem não sair de casa de qualquer maneira, afirmou. Ele observando que a coisa é mais viável, quando se trata de uma casa de campo ou de dois apartamentos juntos, de maneira que a obra numa parte da residência não incomoda os proprietários que se transferem para a outra. Entretanto, empreender uma reforma por partes podem acabar se tornando ainda mais caro do que mudar de casa.

Jim Curtis, diretor de estratégias da Remedy Health Media, já passou por três reformas desde quando adquiriu um novo apartamento de dois quartos, em janeiro, em Water Street, por US$ 1,35 milhão. Ele não queria de modo algum viver no meio de uma reforma de US$ 110 mil que previa a reforma total dos quartos e a instalação de uma porta de correr entre os dois dormitórios, a modernização dos banheiros, a instalação de prateleiras e de um sofá de madeira recuperada encaixado na parede na sala de estar e a troca dos pisos.

Como Aidan, o filho de 7 anos de Jim, mora com ele nos finais de semana, o executivo procurou acomodações temporárias que oferecessem segurança e conforto. “Permanecer no apartamento representaria economia de dinheiro para mim, mas por causa do meu filho, um bom lugar para ficar vale qualquer gasto. Você deve viver feliz e não num lugar que pode deixá-lo doente.”

Nas duas primeiras semanas do seu exílio, Jim foi para o interior, visitar amigos e familiares. Quando voltou, mudou-se para um estúdio mobiliado em Greenwich Village por um mínimo de 30 dias, que encontrou por recomendação de um corretor da Town Residential. A solução se mostrou conveniente não apenas porque o estúdio pode ser alugado por pouco tempo, mas também porque “já tem cabo, Internet, e tudo aquilo de que você precisa já incluído”. Jim, que pagou cerca de US$ 2.700 por mês, acabou ficando dois e meio antes de voltar para o apartamento.

matéria publicada no jornal Valor em 12 de julho de 2015.