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GEOGRAFIA DOMÉSTICA

14/07/2015

Landscape Panda , sistemas de assentos criado por Giulio Cappellini e Paola Navone, para a Cappellini.

Sistemas de módulos componíveis de Michael Geldmacher e Eva Paster para a MDF italia.

Semana de Design de Milão aponta para interiores mais neutros, mas sempre abertos á customização.

Poucas vezes a vocação internacional da Semana de Design de Milão se manifestou com tanta intensidade quanto em sua última edição, encerrada na semana passada. Apenas n Salão do Móvel, que este ano ancorou a bienal de iluminação Euroluce, a presença de expositores não italianos foi de 69%.

Proporção verificada, segundo os organizadores, também nos quase 400 eventos “fuorisalone”, que aconteceram em sete zonas: Tortona, Brera, Ventura/Lambrate, Porta Venezia, Sant’ Ambrogio, San Gregorio e Le 5Vie.

Mais do que um evento localizado, uma imensa quermesse que se espalha pelos quatro cantos da cidade e que coloca, lado a lado, o produto industrial e o feiro ás mão: a produção voltada para o largo consumo e o milionário mercado de peças única. Condições que fazem da capital lombarda um ponto de observação privilegiado para os interessados nos rumos da criação contemporânea.

“Vivemos em um mundo povoado de sofás. Não acho que seja o caso de produzir apenas mais um”, sentenciou o empresário italiano Giulio Cappelinni, um entusiasta da exclusividade aplicada ao design, hoje às voltas com um projeto de conteúdo mais amplo.

“Dessa vez me pareceu que era o momento de propor uma paisagem completa. Um elemento forte que agregasse a seu entorno uma série de complementos capazes de criar um cenário. Uma geografia doméstica completa”, sintetizou ele, durante o lançamento de Landscape Panda, projeto produzido em parceria com a designer italiana Paola Navone.

À primeira vista, um simples sistema de assentos, mas que, combinado a uma luminária em formato de panda, assinala o firme propósito da dupla de deixar parte da interpretação do móvel ao alcance de seu usuário. De fazer dele um agente ativo não apenas no momento da compra, mas durante toda a vida do produto.

Como acontece com Landscape Panda, os lançamentos de Milão 2015 nos falam de uma casa menos afeita a transgressões e mais interessada em captar o essencial. De móveis criados para atender a necessidades individuais, aos habitantes dos pequenos apartamentos, aos trabalhadores domésticos. Um público ávido por produtos atemporais, de base neutra e, justamente por isso, mais fáceis de customizar.

Assim, poltronas ganham contornos mais enxutos. Cadeiras exibem estruturas aparentes. Mesas são reduzidas a simples lâminas. Um cenário doméstico menos autoral e mais aberto á personalização se descortina diante dos visitantes da Semana de Design de Milão. Excesso de simplificação? Reflexo de um momento de contenção econômica? Também, mas não apenas.

Para o observador atento, toda a neutralidade preconizada por Milão pode servir de base para a criação de interiores mais personalidades e não menos inspiradores. Desde, claro, que se tenha em conta que o estilo nasce muito mais da diversidade do que o estilo nasce muito mais da diversidade do que de uma simples relação de correspondência.

O sofá Teo, da Moroso, com mesa de apoio integrada.

Da B&B, sofá Butterfly, para área externa. Design Patricia Urquiola.

Detalhe da montagem do Self made sofá.

Sofá Self Made, com modelos componíveis, de Matali Crasset para a Campeggi.

O sofá Polder, em versção compacta. De Hella Jongerius, para a vitra.

De Kartell, o sofá Largo, de Piero Lissoni.

O sofá ABC da Campeggi.

De Jean Marie Massaud, o sofá Sidney, para a Poliform.

O sofá Summit, de Giulio lancchetti, para a Casamania.

A Charles chair, de Marcel Wanders para a Moooi.

De capellini, a poltrona Frac, de Matteo Zorzenoni.

A cadeira Twig, de Oki Sato, para a Alias.

Cadeira cabide, de Alfred Wood para a Covo.

Dream Air, cadeira de Eugenie Quitlet para o Kartell.

Bac Blue, cadeira de Jasper Morrison para a Capellini.

KZT, cadeira de madeira de Martino Gamper para a Diesel Collection, por Moroso.

Cadeira Skin, de Ron Arad para a Moroso.

A mesa Oskar, com tampo de vidro texturizado da BB italia.

Mesa Brasilia, da Living Divani.

Da Cappellini, a mesa Vendome, de mármore. Design Giulio Cappelini.

Da Cassina, mesas Scighera, de Piero Lissoni.

Mesas laterais calma, da Meritalia.

Mesa Nizza, da Moroso para a Diesel Collection, em chapa metálica.

Cadeiras Match, da Moroso.

Mesa Sniper, de bronze, da Sawaya & Moroni.

Mesa do estúdio de inglês mkdesign yoavgurin, na Design Junction.

matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em 26 de abril a 2 de maio de 2015.