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CÂMBIO PODE LEVAR EXPORTAÇÕES EM 9%

08/07/2015

As indústrias moveleiras miram o crescimento das exportações na segunda metade do ano, favorecidas pela sustentação do dólar acima de R$ 3 nos dois últimos meses, como alternativa para reduzir o impacto da retração do mercado doméstico. Com base nas projeções do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), a Associação Brasileiras das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) espera uma expansão de quase 9% nos embarques em 2015, para US$ 585 milhões. Se confirmado, será o melhor desempenho desde 2010.

Para o presidente da Abimóvel, Daniel Lutz, se a cotação do dólar se mantiver neste patamar em termos reais, as exportações do setor podem retornar em mais dois anos, por volta de 2017, ao "auge" da primeira metade dos anos 2000, quando alcançaram US$ 1 bilhão por ano. Com o câmbio no nível atual, diz Lutz, as empresas reduziram os preços em dólar entre 5% e 15% em relação a 2014 e ganharam competitividade.

De janeiro a maio, conforme a Abimóvel, as exportações ainda recuaram 7,4%, para US$ 250,1 milhões, mas a tendência é que em junho o acumulado já empate com o mesmo intervalo de 2014, calcula Ivo Cansan, presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), segundo maior estado exportador do setor. Segundo ele, o ano começou com menos embarques porque os exportadores estavam esperando um cenário mais claro do câmbio para a fixação de preços.

Já para as vendas no varejo doméstico, prejudicadas pela alta do desemprego, da inflação e dos juros, o Iemi projeta uma baixa de 1% em volume em 2015 e um crescimento nominal de 4,4% em receita, para R$ 66,6 bilhões, incluindo o segmento de colchões. Lutz reconhece que a estimativa de recuperação das exportações não cobre a queda real (descontada a inflação) no mercado interno, mas diz que o movimento dá um novo ânimo para a indústria.

A começar pelo efeito positivo sobre o nível de emprego, que segundo o Ministério do Trabalho recuou 2,8% em 12 meses até maio nos segmentos de madeira e mobiliário, com a supressão de 14 mil postos de trabalho no País. Lutz não arrisca projetar quanto tempo será necessário para reabrir estas vagas, mas calcula que, em média, cada dólar exportado gera quatro vezes mais empregos do que vendido no mercado interno devido ao maior valor agregado dos produtos destinados ao exterior.

No acumulado até maio, as indústrias de móveis fecharam 2,4 mil postos de trabalho - um recuo de 0,49%. Mas, para o Iemi, o segmento moveleiro deve apresentar uma alta de 2,1% no pessoal ocupado já em 2015. "O comércio internacional de móveis vem crescendo 7% ao ano e está em US$ 160 bilhões (anuais)", diz o consultor do instituto, Marcelo Prado.

matéria publicada no jornal Valor em 4,5 e 6 de julho de 2015