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A EFICIÊNCIA RELAXADA CONTRA RIGIDEZ EXECUTIVA

29/06/2015

Com alfaiataria mais ampla e peças que privilegiam o conforto, as coleções dialogam com o homem suas múltiplas demandas.

Calças da Ermenegildo Zegna, talhadas para um consumidor mais ousado.

Estilo esportivo da Bottega Veneta.

Bottega veneta: “abraçar” o indivíduo.

Um homem cioso do seu conforto – e ciente de suas múltiplas demandas cotidianas – tem sido muito bem representado nessa temporada de moda masculina Primavera-verão 2016, em Milão. Pelo que se viu até agora, nas passarelas, a temporada será plena de estilos, mas que parece desenhar uma mesma proposta: tratar a roupa como um acessório funcional, a expressão de uma personalidade em constante mutação. A rigidez, pelo jeito, está fora da moda.

A mistura de costume e tênis, por exemplo, surgiu na passarela da Emporio Armani que transformou os seus Blazers de abotoamento duplo em uma versão descontraída do que é a peça originalmente. Em outros looks, quando o blazer permanece com seu desenho tradicional, as calças ganham uma cara esportiva, com franzido na barra. Como foi visto em outras marcas, as calças masculinas trazem formas amplas, enquanto a parte de cima mantém um desenho quadrado. A imagem tem semelhança com a dos Yuppies dos anos 1980, pois acrescenta volume á silhueta. Há diferença no comprimento: as calças da Emporio Armani são mais curtas - como as que sutgiram na moda feminina, recentemente, e ganharam o nome de “crooped”.

Sobra tecido também nas calças da Ermenegildo Zegna, que parecem talhadas para um consumidor de estilo mais ousado do que normalmente se espera de m cliente da marca. Há citações ao universo esportivo das calças com cós amarrado e nas jaquetas. Mas a ideia geral é a de uma roupa que dá a liberdade para transitar dentro e fora do ambiente profissional. Foi assim que crítico de moda Tim Blanks, do “Style.com”, definiu o público-alvo da coleção de Stefano Pilati, para a Zegna: ”executivos da era digital para quem os ternos significam algo diferente do que uniformes oficiais do escritório”.

A liberdade de espírito também pôde ser vista no desfile da Prada, que surfou com ousadia na ideia de um guarda-roupa menos sisudo para o homem urbano.

Tecidos com diferentes texturas (Jérsei laminado, náilon metálico, sarja Jacquard, viscose de lã e cetim de seda) enfatizam o aspecto gráfico das roupas, contrapondo as ideias etre o casual e o esportivo. Calças com bolsos laterais e sandálias com tiras reflexivas complementam a aparência utilitária dos looks, que parecem servir para transitar em diferentes ocasiões, atendendo variadas demandas do homem contemporâneo – que ora precisa ser mais atlético, ora mais relaxado, sem deixar de lado a eficiência exigida nos grandes centros urbanos. Haja Flexibilidade.

matéria publicada no jornal Valor em 23 de junho de 2015 por Vanessa Barone