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O MUNDO IDEAL DE PHILIPPE STARCK

26/06/2015

Famoso pelas criações bem-humoradas, o designer francês levanta aqui a bandeira que considera a mais importante: cuidar do planeta. Ele lista, com exclusividade para Casa Claudia, três atitudes fundamentais para todos nós vivemos melhor.

Economizar Energia.

“Isso é fácil: desligar a luz ao sair de um cômodo e tomar banhos curtos já ajuda”, fala Philippe, que atentou à sustentabilidade aos 16 anos, quando conheceu um ecologista norte-americano em Formentera, ilha espanhola onde viveu. Desde o encontro, o tem norteia cada decisão do designer e se reflete em sua obra.

Gerar Energia.

“O petróleo acabará em 70 anos. Se não quisermos retorna à Idade Média devemos produzir mais eletricidade do que consumimos”, afirma. Para isso, vale apostar em painéis solares e outros artigos de gênero. O designer dá tenta importância ao assunto que projetou turbinas eólicas residenciais.

Consumir Menos.

“Pare de comprar produtos de que não precisa”, sentencia. Além de buscar itens ecologicamente corretos, avalie o quanto são, de fato, necessários – se conseguir imaginar sem eles, dispense. Coerente, Philippe prioriza casas pequenas, nas quais não há ambientes sem utilidade, e mobiliário perene.

Magrelas de Grife.

Há pouco espaço para o carro na rotina do autor, que prefere percorrer os trajetos a pé ou de bicicleta. O Interesse pelo transporte de baixo impacto ambiental o levou a desenhar a Pibal (acima) em 2012. No ano passado, vieram os quatro modelos de bike da coleção M.A.S.S., com foco em diferentes terrenos (asfalto, lama, neve e areia).

Uso Sob Controle

No período em que residiu em Formentera, o criador se acostumou à parcimônia no gasto da água. “Cada morador dispunha de apenas 5 litros diários para todas as “tarefas”, recorda. Ele uniu a necessidade de economia de recurso natural ao melhor da estética e idealizou esta torneira com vazão de somente 4 Litros por minuto para a Axor, empresa do grupo alemão Hansgrohe.

Zero Desperdício

O nome da cadeira Broom (“vassoura” em inglês) entrega a origem da matéria prima – resíduos de polipropileno e madeira de indústria. Varridos do chão das fábricas, os restos originam um novo composto, que forma a peça norte-americana. Emeco. “Optei por menos design, menos estilo e menos material para, no fim, ganhar mais”, resume.

Somente o Essencial.

O lar dos sonhos de Philippe nem de longe se parece com as mansões que os famosos costumam habitar. Há poucos meses, o designer e a mulher, Jasmine, passaram a viver nesta construção de 350 m² perto de Paris – na verdade, o protótipo de uma das duas moradias pré-fabricadas e com preço acessível que ele concebeu para a empresa eslovena Riko. Dotadas de telhado verde, painéis solares, módulos fotovoltaicos, turbinas eólicas e coletores de chuva, as casas dispõem de planta enxuta e geram a energia que demandam. “Anseio pelo dia em que os processos industriais as tornem baratas como os carros”, conta.

Café Com Magia.

No mundo de Philippe jamais falta graça, seja em objetos e móveis divertidos, seja em projetos de interiores. Com esse espírito, ele assumiu a tarefa de repaginar a decoração de uma antiga companhia gráfica parisiense de modo a convertê-la no Caffé Stern. “Busquei adicionar um pouco de poesia, romantismo e doçura ao cotidiano”, explica. Para isso, ele imbuiu o décor de um toque surreal que lembra um cenário do clássico Alice no País das Maravilhas.

Traçado Básico.

“Nunca fui fã de excessos”, aponta. O desenho mínimo, além do apelo visual, exige menos recursos naturais e materiais na fabricação. Exemplos desse tipo são a cadeira Masters e o banco Uncle Jack, ambos da Kartell. Feito de policarbonato, o mobiliário reforça, ainda, o discurso do autor em prol do design acessível, focado na qualidade e no baixo custo.

Usina Doméstica.

“Reconhecemos o quanto o custo dos equipamentos torna difícil gerar a própria energia em escala residencial”, diz. Mas nem por isso desanima: associou-se à italiana Pramac e planejou dois exemplares de turbina eólica (um deles abaixo) para uso individual. “Invisto, agora, no movimento ecologia democrática, que prega o acesso de todos os itens sustentáveis.

Direção Certa.

Ainda tímido na potência, já que a velocidade máxima não chega a 65 Km/h, o V+, desenvolvido para a Volteis, simboliza um passo na independência dos automóveis em relação aos combustíveis fósseis. De alumínio o tecido, o carrinho se movimenta graças à eletricidade. Sua bateria pede seis horas para atingir a carga completa e tem autonomia de cerca de 60 km.

Philippe Starck

matéria publicada na revista Casa Claudia em junho de 2015.