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LUXO EM AEROPORTOS INCLUI FILA ESPECIAL, PORSCHE E “O FURÔ”

25/06/2015

Empresas aéreas e terminais investem em serviços VIPs.

“Se você oferece coisas fora da realidade do cliente, ele pode ficar constrangido”, diz Thiago Chiaroni de Abreu, gerente de serviços especiais da Tam.

No “lounge” da rede Star Alliance em Guarulhos cadeiras de descanso permitem que o cliente tire cochilos.

A área VIP administrativa pelo aeroporto de Guarulhos (SP) mantém área exclusiva para a primeira classe.

American Airlines fez investimento de US$ 2 bilhões para melhorar atendimento, incluindo reformas nas cabines.

Se nos áureos da Varig lagosta e caviar constavam no cardápio da primeira classe, requinte hoje é dormir no conforto de uma poltrona que reclina até 180º. Ou então jantar na hora desejada e não ser abordado pelo serviço de bordo. Luxo é também usufruir canais exclusivos na fila de imigração. A popularização do transporte aéreo e o aumento das medidas de segurança após 11 de setembro de 2001 acabaram com aspectos do encanto. Não há glamour que resista e talheres de plástico e à necessidade de retirar cintos e sapatos na fila de inspeção para embarque. Na tentativa de recuperar certo charme, as empresas aéreas e os aeroportos estão investindo na melhoria da experiência de voo, com tratamento personalizado a passageiros.

O atendimento especial para o cliente que se dispõe a pagar um valor entre quatro e dez vezes mais alto do que o preço da tarifa econômica começa na deslocamento até o aeroporto, com serviço de chofer particular, e inclui detalhes como cartões de boas-vindas escritos á mão e assinados pelo comodante do avião. Esses clientes podem até mesmo dispensar práticas habituais, como chegar ao aeroporto com três horas de antecedência ao voo internacional. Nos principais aeroportos da Europa, dos EUA e da Ásia, clientes da primeira classe e da executiva podem chegar até 40 minutos antes de uma decolagem e se beneficiar de canais exclusivos de imigração.

Os passageiros VIPs, Frequent Flyers e detentores de cartões fidelidade Black, Diamante e afins, não precisam embarcar correndo suados e estressados. Eles podem tomar banho no próprio aeroporto, desfrutar de um bom uísque enquanto jogam bilhar, fazer barba unhas e relaxar em um “ofurô” antes de voo.

Ilhas de tranquilidade e conforto em meio à agitação dos aeroportos, as salas VIPs ganharam áreas de hotéis cinco estrelas e estão no centro das atenções das empresas aéreas, que investem na melhoria e ampliação de sua rede “lounges” mundo a fora.

Em Frankfurt e outros aeroportos alemães, a Lufthansa oferece um terminal exclusivo para viajantes da primeira classe, com serviço de “valet” no estacionamento, camas privativas e espaço reservado para fumar charuto. Etapas como check-in, raios X e passagem pela imigração são feitas no terminal. Se a espera for superior a três horas, uma volta pelas estradas da Alemanha está no cardápio. Apresentando o cartão de embarque, passageiros da primeira classe da empresa ou da Swiss podm alugar um Porsche por Euro 99.

Na virgin, além de serviços como chofer, “fast track” [fila especial] de imigração e segurança, seus “lounges” em Heathrow (Londres) e no JFK (Nova York) possuem videogames, bebidas e atendentes que faze cheque-in utilizando Google Glass.

“As empresas estão ficando mais criativas e indo além da poltrona. Há uma atenção mais holística com relação à experiência dos passageiros”, diz Raymond Kollau, fundador da agência de pesquisa de mercado AirlineTrends.com. Segundo ele, a maioria dos investimentos nas salas VIPs estão ocorrendo nos aeroportos de destino, fora dos principais “hubs” das empresas aéreas, para garantir que a experiência com a marca seja uniforme mundo afora.

O design do interior costuma ser assinado por profissionais renomados. A decoração da moda atualmente reflete um caráter de “casa longe de casa” [home away from home”]. Madeiras e cores mais quentes estão em alta e a tecnologia está presente de forma discreta, com Wi-Fi e tomadas e entrada USB distribuídas por cadeiras, poltronas e sofás.

No “Lounge” da Star Alliance em Guarulhos, cordas rústicas fazem a divisão de ambientes, remetendo à brasilidade, em decoração assinado pelo designer Ìndio da Costa. O espaço é compartilhado pela primeira classe e pela executiva. Uma ala com “chaises longues” (cadeira de descanso) permite que o cliente tire cochilos. Cada uma delas é munida de tomada e mesa retrátil.

No espaço da TAM, que ocupa área de 1.800 m² ( a maior do aeroporto de Guarulhos, com capacidade para 450 pessoas), as equipes são treinadas para reconhecer quando alguém não quer ser incomodado alguém não quer ser incomodado. Além da leitura corporal dos clientes, os funcionários aprendem noções da etiqueta, de postura e conceitos básicos de informática para suporte.

“Antigamente as pessoas gostavam de ver lagosta e caviar na sala VIP. Hoje o cliente quer variedade, com opções de comida saudável e saborosa e que o faça se sentir e casa”, diz Thiago Chiaroni de Abreu, gerente de serviços especiais da TAM. “Se você oferece coisas fora da realidade do cliente, ele pode ficar constrangido. “Segundo Abreu, egresso da indústria hoteleira, a comida que mais sai e não pode faltar é pão de queijo.

O lounge da TAM é o único do aeroporto de Guarulhos que conta com camas (quatro). “São feitos de 10 a 15 usos por dia, mas a cama está sempre arrumada, com lençóis novos, para que o cliente sinta que ele é o primeiro a usar”, diz Abreu. Há ainda seis salas de duchas e 24 banheiros completos com pia e vaso. De quinta a sábado, são cerca de 60 banhos por dia. O “lounge” faz parte de um investimento de R$ 25 milhões do grupo Latam e que inclui ainda sala VIP de Lan em Santiago Chile.

matéria publicada no jornal Valor em 24 de junho de 2015 por Mariana Barbosa.