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AUMENTAR A BASE DE CLIENTES É OBRIGATÓRIO

22/06/2015

A principal mudança econômica no Brasil nos últimos quinze anos foi a descoberta da força do mercado interno. No Plano Real, o país assumiu o compromisso de fortalecer seu potencial exportador. A economia se estabilizou e, fortalecida por programas sociais desde os anos 2000, a classe média cresceu. A expansão das classes C e D sustentou o bom desenvolvimento econômico e impulsionou o setor de beleza para uma expansão anual de dois dígitos a partir de 2003.

O Brasil se transformou em um dos mercados de higiene pessoal mais atrativos do mundo e recebeu significativos investimentos. Assumimos a terceira posição entre os maiores consumidores de cosméticos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, e continuamos a crescer.

O consumidor mudou. O trabalho da indústria de telecomunicações ampliou a cobertura móvel para mais de 5,5 mil municípios e a presença do meio digital tornou-se inevitável. As resistências iniciais para comprar on-line foram superadas e os hábitos mudaram bastante. Ainda assim, o consumidor quer experimentar o produto nas lojas e ouvir opiniões antes de comprar. Cabe às empresas entender as novas peculiaridades e a situação de compra.

Nosso desafio mais imediato é semelhante ao enfrentado por outras empresas voltadas ao consumo: o país tem a necessidade de um ajuste do déficit fiscal, o que significa o aumento de impostos e a retirada de dinheiro da economia. A retração de consumo começa a ser sentida. Trabalhar mais intensamente em produtividade, no aumento da base de clientes e na redução de custos tornou-se obrigatório.

Ancorar a política de ajustes do lado da receita, sem atentar para os próprios gastos, para o retorno à sociedade, não é solução dos problemas. Uma política sustentada apenas pela arrecadação pode ter efeito inverso ao esperado. Não é óbvio que o aumento da alíquota do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) produzirá efeito positivo no setor de cosméticos porque o volume de vendas não será o mesmo - tende a cair.

No médio prazo, a briga da Natura é para estabelecer um plano estratégico no Brasil. As atividades internacionais crescem a dois dígitos altos, mas não conseguimos avançar à taxa da inflação aqui. Outro objetivo é ampliar a produção no exterior. Temos parcerias com fábricas na Argentina, na Colômbia e no México. Apostamos no on-line, mas continuamos muito dedicados à venda direta.

matéria publicada no jornal Valor em 2,3 e 4 de maio de 2015.