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UM PORTO POSSÍVEL PARA MANAUS

16/06/2015

NOVO PARQUE

Deslocando para superfície da confluência entre os rios Negros e Solimões, o atual espaço portuário dará lugar a uma área inundável durante as cheias do sazonais.

ESPAÇO HÍBRIDO

Gastronomia e comércio funcionarão conectados ao trânsito internacional de passageiros e mercadorias, ocupando três níveis sobre caixas de concreto flutuantes.

O complexo potencializa a integração com a exuberante natureza do local: seus 320 m de extensão contemplam a margem do parque.

Os problemas são muitos: fortalecer a afinidade entre a cidade e o rio; revitalizar uma zona portuária decadente; lidar com os dilemas de sustentabilidade no clima quente e úmido da região amazônica, que provoca cheias anuais de até 14 m de altura. Se depender das ideias do Estudio Mono, a solução virá de múltiplas frentes. Imaginado pelos arquitetos Alejandro Alaniz, Christian Barrera, Ivan Baez e Patricio Cuello, o terminal avançara sobre as águas na forma de estrutura de concreto (em módulos de 20 x 40 m), reduzindo o tempo e o impacto da obra. A cobertura de chapas de aço galvanizado acomodará nichos côncavos para coletar a água da chuva, destinada ao uso sanitário. Ligado ao Centro por vias elevadas, esse porto (ainda apenas uma proposta) sugere a dissolução dos limites rígidos entre infraestrutura e território, desafiando, segundo o enunciado do grupo, “a lógica fragmentária características das arquiteturas do século 20, monofuncionais e extensas”. Estacionamento público, espaços de lazer e turismo entram na receita dessa intervenção, que também adiciona verde à cidade, surpreendentemente carente dessa oferta – atualmente, Manaus ocupa 10º lugar entre as capitais brasileiras mais arborizadas.

matéria publicada na revista arquitetura & construção em maio de 2015.