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GRENDENE E STARCK ABREM LOJA DE MÓVEIS DE R$ 2 MIL

01/06/2015

A única loja do mundo da marca TOG, de Philippe Starck, um dos designers mais premiados ( e copiados ) da história, abre dia 22 de maio, no bairro do Itaim, em São Paulo, com a venda móveis, como cadeiras de plástico, que devem custar de R$ 550 a R$ 2 mil. Como sócios de Starck estão a Grendene, André Esteves, por meio do fundo de investimento Santana, e Nizan Guanaes, com a ABCDEFGHI Participações. O negócio recebeu investimentos de R$ 52 milhões.

A Grendene terá 42,5% do capital total da empresa, Starck, 37,5%, e Esteves e Nizan dividem os 20% restantes. A operação da TOG entrará, de forma proporcional, na receita consolida da Grendene, que não será responsável pela produção ou fornecimento de materiais. As peças virão da Itália. “Entramos nesse projeto porque é condizente com nossa proposta de marca, de vender produtos com design e qualidade. No futuro, podemos ver se cabe ou não produzir no Brasil ou em qualquer local que faça sentido”, diz Francisco Schmitt, diretor financeiro da Grendene, dona da Melissa, marca de sandálias de plásticos a partir de R$ 40.

Em 2013, ao anunciar o projeto, a Grendene informou que o negócio poderia alcançar receita anual de R$ 100 milhões em dois anos.

Starck e sócios vão tentar vender por aqui o que chamam de “design personalizado e acessível” – provavelmente mais acessível na Europa, em que a cadeira de plástico mais simples da TOG sai na faixa de £ 100 – produto que, em reais, com impostos e variação cambial, mais que quintuplica na loja no Brasil. O imposto de importação de móveis de plástico está em 18%. Um site para a venda de 15 itens no país estava previsto para começar a operar ontem. É possível personalizar o móvel, definindo cores e estilo na página de venda on-line.

“Quando comecei era tudo bom, mais muito caro. Era chocante ter que pagar US$ 10 mil por uma mesa. Comecei um projeto que chamei de design democrático, em paralelo à busca pela personalização, o que não é fácil, porque o preço sobe também. Foi a partir daí que veio a TOG”, disse Starck, durante a apresentação da loja.

Apesar dos valores mais altos no Brasil, os sócios entendem que ainda são preços convidativos, mesmo para um período de retratação no consumo. “A ideia é ter volume de venda para manter preço competitivo. Este é um projeto de longo prazo, planejado apesar do cenário econômico pior”, diz Schmitt. Starck e Alexandre Grendene iniciaram as conversas há mais de um ano, antes de piora mais acelerada da economia.

Questionado sobre o fato de os atuais negócios em móveis de Alexandre Grendene registrarem resultados fracos ( as vendas da Unicasa, dona da Dell Anno, recuaram 7% até março ) Schmitt diz que são investimentos incomparáveis. “A Unicasa e a TOG são negócios em que um dos sócios é o mesmo, mas são operações independentes”.

Matéria publicada no jornal Valor em 22 de maio de 2015 por Adriana Mattos.