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CASA SIMPLES DE MANTER A ACESSÍVEL PARA MORADORES DA 3ª IDADE.

01/06/2015

O casal Maria Helena e Hélio Carneiro viu nascer em cinco meses a casa de 140 m², fácil de cuidar e com tudo o que é preciso para viver de modo simples e confortável.

A maior parte da fachada principal recebeu tinta elastomérica (Metalatex Elastic, da Sherwin--Williams, no tom concreto intenso), que suporta as dilatações e contrações da parede sem trincar.

Em fevereiro de 2014 ,este terreno de mil m² não passava de um trecho de Mata Atlântica num condomínio na Serra da Cantareira, área de proteção ambiental a 40 km do centro de São Paulo. Menos de seis meses depois, a residência construída nele pelo arquiteto Hélio Carneiro recebia a mudança de seus pais, Maria Helena e Hélio. Tão positivo como o cronograma bem--sucedido foi o compromisso de preservar 75% da vegetação nativa (o que também jogou a favor do calendário, pois agilizou a aprovação do projeto na Secretaria do Meio Ambiente – SMA). O rigoroso planejamento garantiu o resultado da empreitada, segundo o arquiteto: “Levei três meses desenhando e mais um para programar os trabalhos”. Entre os desafios, estava criar um espaço acolhedor e seguro, de conservação simples e manutenção esporádica. "O antigo sobrado da família se tornou inviável por causa de problemas de saúde do meu pai”, lembra o rapaz, que concebeu uma proposta sob medida para a atual fase de vida do casal. Aqui, os cômodos mais utilizados se concentram no térreo, livre de degraus e desníveis; as passagens extrapolam a medida-padrão; e o piso antiderrapante previne escorregões. Com orçamento engessado e prazo apertado, o arquiteto encontrou a solução para as demandas no steel frame, sistema que utiliza painéis de aço perfilado como estrutura de paredes externas e internas. “Por ser industrializado, esse método permite construir rapidamente e com o mínimo de desperdício e entulho. Mas é preciso ter muito cuidado no cálculo estrutural e projetar pensando nas características específicas dos componentes.” Isso significa, por exemplo, definir os vãos de acordo com a modulação disponível. “Também pressupõe eliminar do canteiro tudo o que é artesanal”, aponta Hélio, que seguiu quase à risca esse receituário – como as exceções estavam programadas, não prejudicaram o andamento da construção. Uma delas foi recorrer a vigas metálicas na sustentação de cozinha e sala de jantar. “O steel frame possibilita o vão máximo de 1,20 m, e eu desejava mais do que isso”, justifica. O outro desvio, a adoção de telhado com estrutura de madeira, relaciona-se à busca de uma atmosfera de casa de campo. O cronograma consistiu em duas fases. Os 60 dias iniciais comportaram a limpeza e a regularização do terreno, o esgoto primário (fossa séptica e filtro anaeróbio), a fundação e a cobertura de grama. Nos três meses seguintes vieram o steel frame, a elétrica, a hidráulica, o fechamento das paredes, o telhado e os revestimentos. “Enquanto a primeira etapa acontecia, produziam-se os painéis de steel frame e os outros elementos”, conta o profissional. Instalada antes do término da morada, a marcenaria da cozinha comprova tecnicamente que a execução funcionou. “Quando você trabalha com o steel frame, as dimensões do projeto e da obra têm de bater porque tudo é modulado”, ele explica. Do ponto de vista emocional, a prova mora no sorriso orgulhoso de Maria Helena ao percorrer com os olhos o lugar onde vive há oito meses. Sem constrangimento, ela diz: “Eu sou e sempre fui dona de casa. E esta é a melhor que já tive. Daqui eu não saio mais”.

“quando bem planejado, steel frame proporciona controle de custo prazo.”

Toda envidraçada, a face de trás da área social se beneficia de muita luz natural.

Os armários da cozinha (MC Marcenaria) levam agradável tom verde no laminado que finaliza o compensado. Entre os revestimentos, imperam aqueles fáceis de cuidar, como o piso vinílico da Tarkett (linha Essence) e a pintura (Suvinil, ref. cinza medieval, C400), cuja cor suja menos do que o branco.

Cozinha e sala de jantar são um único ambiente.

ESTRUTURA -ENTENDA O SISTEMA CONSTRUTIVO

Os principais componentes chegam prontos para a montagem. O custo estimado da estrutura –que inclui limpeza e regularização do terreno, além de elétrica e hidráulica – foi de R$ 1,5 mil o m2
1) Telhado: O madeiramento de garapeira, apoiado no steel frame, recebeu o forro. As telhas termoacústicas de zinco e alumínio (com recheio de EPS) foram instaladas 30 cm acima dele. Dessa forma, criou-se uma câmara de ar, que melhora o conforto térmico. Chapas perfuradas de compensado naval fecharam o vão.

2) Face interna das paredes: O OSB se cobre de gesso acartonado ou, ainda, de placas cimentícias. Neste projeto, essas últimas aparecem onde há encanamento. Por cima vem o revestimento. Face externa das paredes: O acabamento se mostra mais complexo: o OSB recebeu a proteção de uma membrana (LP Brasil) que deixa a umidade sair, mas não entrar, e, então, fixaram-se as placas cimentícias (PlacLux) ou as ripas de pínus auto clavado. As chapas ganharam pintura, e a madeira, verniz naval. Steelframe: Elegeu-se um fornecedor (Multiperfil Grasser) que não apenas fabrica os perfis de aço como também os transforma nos painéis de parede. Estes são entregues finalizados, com as aberturas para encaixar janelas, vidros fixos e portas. Tal tecnologia, conhecida como Framecad, ainda faz o cálculo estrutural de cada placa. “Na fase de projeto, é preciso prever os revestimentos, pois um porcelanato e um vinil, por exemplo, têm pesos muito diferentes”, ensina Hélio.

3) Laje de piso e teto: Treliças de aço para laje seca (Multiperfil Grasser), cobertas de chapas de OSB Home de 18 mm, compõem o piso do nível térreo. Sobre essas últimas entraram os pisos: vinílico na cozinha, na sala e nos quartos, e porcelanato nos banheiros.

4) Fundação: É do tipo radier, ou seja, laje de concreto armado.

5) Miolo das paredes: Ele parece um sanduíche. O recheio, entre duas chapas de OSB de11 mm (LP Brasil) – que ajudam a travar o steelframe –, é ocupado pelas instalações elétrica e hidráulica, além da lã de pet Isosoft (Trisoft), responsável pelo isolamento termo acústico.

Compacto e organizado

No dia a dia, o nível térreo basta às necessidades dos moradores, já que até a área de serviço fica aqui, camuflada atrás da cozinha.O piso inferior tem uma varanda, um banheiro e dois quartos, usados como ateliê de costura e para abrigar os parentes de fora. Área Total: 140 M²; Projetos Complementares E Gerenciamento: Hom Arquitetura; Steel Frame (Cálculo Estrutural, Projeto, Fornecimento E Assessoria técnica): Multiperfil Grasser; Fundação, Esgoto E Telhado: Amarildo Sbardelotto; Montagem Do Steel Frame E Hidráulica: João Souto; Elétrica: Top Clim.

Sob o telhado, a faixa de chapas de compensado perfurado e pintado de roxo ajuda a expulsar o ar quente do interior. Uma tela barra os insetos.

O banheiro da suíte e a escada que leva aos quartos de hóspedes apresentam uma característica em comum: a iluminação zenital. “Como caem muitas folhas das árvores, usei placas de policarbonato alveolar, que deixam a luz passar, mas não são tão transparentes como o vidro”, diz Hélio.

O banheiro da suíte e a escada que leva aos quartos de hóspedes apresentam uma característica em comum: a iluminação zenital. “Como caem muitas folhas das árvores, usei placas de policarbonato alveolar, que deixam a luz passar, mas não são tão transparentes como o vidro”, diz Hélio.

Pintada de esmalte roxo (Suvinil, ref. suco de uva, P358), a viga metálica sustenta a cozinha – no futuro, esta varanda terá uma churrasqueira.

Por questão de economia e estilo, o arquiteto especificou caixilharia de madeira (itaúba tratada). Ele afirma, no entanto, que o ideal seria investir no PVC ou no alumínio, “que oferecem melhor vedação, porém são mais caros”.

matéria publicada na revista arquitetura & construção em abril de 2015 por Cristiane Teixeira.