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O ESSENCIAL PERMANECE

22/05/2015

Mago das estruturas tensionadas, o alemão Frei Otto leva o Prêmio Pritzker 2015, anunciado postumamente.

Cobertura do Estádio Olímpico de Munique.

Interior do Ilek, em Stuttgart.

Diplomatic Club Heart Tent, em Riad, na arábia Saudita.

Espaço Multihalle, em Mannheim, na Alemanha.

" Minha arquitetura é a da sobrevivência. Muito simples: sobreviver é o que todos nós fazemos”, Frei Otto, arquiteto.

Conceito primordial que resume o sentido da arquitetura, a tenda marcou a trajetória do alemão Frei Otto (1925-2015). Detido num campo de prisioneiros na França durante a Segunda Guerra Mundial, o então estudante universitário ergueu abrigos com lençóis e cobertores. A primeira obra de fôlego veio em 1955 – um pavilhão de música em Kassel, na Alemanha. Nos anos 60, ele iniciou a carreira acadêmica fundando o Institute for Lightweight Structures and Conceptua lDesign (Ilek), na Universidade de Stuttgart. O reconhecimento mundial chegou duas décadas mais tarde, com sua participação no desenho do Estádio Olímpico de Munique. Frei esteve sempre conectado às tendências de seu tempo. Antecipou a era high-tech ao incorporar estudos de ponta na seara do cálculo, flertou com o pop ao planejar a cobertura do palco da banda de rock Pink Floyd na turnê europeia de 1977 e captou o valor da sustentabilidade ao utilizar papelão reciclável no pavilhão japonês da Expo 2000, em Hanover. Sua obra permanece como referência, ainda que a maioria das estruturas tenha sido temporária. Que isto seja mais uma lição deixada por ele: o essencial permanece, embora já não possa mais ser tocado.

matéria publicada na revista arquitetura & construção em abril de 2015.