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CORES E MÚSICA DÃO O TOM NO APÊ DE 70 m².

21/05/2015

Preservar a distribuição dos cômodos e dos pisos entregues pela construtora manteve o orçamento sob controle. Aí, foi possível direcionar a verba para as soluções decorativas que evidenciam a faceta despojada e musical da moradora.

Quando a administradora e contadora paulista Juliana Ogawa Palodetto se mudou para Curitiba, levou na bagagem alguns móveis queridos, uma coleção de discos, outra de livros e uma vontade: montar um lar que refletisse seus gostos e sua história. Para isso, escalou a arquiteta Beatriz de Araújo Empinotti, do Union Architectural Concept, que contou com a ajuda da também arquiteta Claudia Fernandez Dias. Como o imóvel era novinho em folha e tinha um layout inteligente, Juliana pediu alteração apenas em uma parede, a da entrada, que deu lugar a uma charmosa estante. As demais intervenções se resumem a boas doses de cores, revestimentos marcantes e mobiliário funcional, com direito a closet e penteadeira em estilo camarim. Quadros, capas de vinis, entre outros objetos, completam o cenário inspirador, feito em três meses.

“Apoiando-se em tonalidades neutras, há mais liberdade para a inserção do colorido”, explica Beatriz. A arquiteta decidiu aproveitar o antigo tapete cru da moradora e elegeu um cinza-escuro para o sofá (modelo Hayden , de 2 x 0,92 x 0,86 m*. Etna) e o tom de madeira natural para o piso laminado ( Carvalho Escuro Midnight , da linha Legend, da Quick-Step. Natur Pisos), que percorre todo o apê. A partir daí, a paleta de cores explodiu, como desejava Juliana. Coral e amarelo pontuam toda a decoração, esquentando o clima, enquanto o azul vem na medida para contrabalançar.

Atrás do sofá, foi aplicada a cor Cerca Viva (ref. C064, da Suvinil. Balaroti, galão de 3,6 litros). As gravuras do designer Henrique Martins (30 x 30 cm), alinhadas pela largura do móvel, agregam ainda mais personalidade.

Logo na entrada, a única divisória de alvenaria que separava o hall da cozinha foi trocada por uma estante onde se acomodam livros e objetos queridos, que dão as boas-vindas. A parede vizinha exibe tinta lousa.

Espaços otimizados.

Com menos paredes, a cozinha parece muito mais ampla. Para bem aproveitar a área, Beatriz mandou instalar armários sob medida de um lado e, para o outro, encomendou um móvel laqueado laranja com design sequinho (1,52 x 0,28 x 1,85 m), desenhado por ela, com função de cristaleira.

Acima da pia, cerâmicas estampadas ( Provence Mix , da Portobello, de 20 x 20 cm. Balaroti) dão bossa à ambientação.

A iluminação ficou mais elegante com o uso do forro de gesso. “As lâmpadas fluorescentes dentro do rasgo no teto ficam camufladas e geram uma ótima luz difusa”, afirma Beatriz.

Estante versátil: tudo muda em segundos!

Bastou instalar duas prateleiras na parede branca atrás do jantar para que ela virasse a estrela desse canto. As peças, de laminado branco com 8 cm de profundidade, tomam a superfície e ainda continuam após a quina, na alvenaria do corredor. Ali, Juliana apoia seus discos e livros favoritos, que exibem belas capas. “Gosto muito de rock, principalmente de Beatles e Rolling Stones. Até meus livros são sobre música”, comenta a moradora. “O bacana é que esses objetos acabam tendo a mesma função de quadros”, completa a projetista. E a maior vantagem é poder trocá-los e dar novas cores ao ambiente a qualquer momento.

O conjunto de móveis rústicos do jantar, de madeira maciça – que reúne mesa, banco e cadeiras –, foi arrematado por Juliana em um antiquário de Copacabana, durante uma temporada em que ela viveu no Rio de Janeiro. Com azulejos portugueses estampados no tampo, o móvel antiguinho, xodó da moça, faz um belo contraponto com a decoração contemporânea que predomina no apartamento.

A marcenaria tira proveito dos 70 m²

A bancada (1) da cozinha americana é um verdadeiro curinga! A estrutura tem como função principal formar o balcão de refeições, mas ela ainda avança em direção à sala de estar e fica estreitinha, apoiada na parede, servindo como suporte para a TV.

Na suíte, a área generosa permitiu a criação de um closet: o armário planejado (2) foi disposto perto da entrada, delimitando a área de vestir (3). Ao fundo, se encaixa uma penteadeira (4).

Tonalidades rebaixadas para trazer aconchego.

No quarto de hóspedes, que abriga o home office, a paleta de cores é mais suave. “Decidimos aplicar papel de parede amarelo estampado em apenas duas superfícies para alegrar, porém em um tom clarinho, que não deixa sobrecarregar o ambiente de 8,10 m²”, conta Beatriz.

Os móveis sob medida também estão presentes aqui, aproveitando cada centímetro do cômodo, inclusive no alto. Bancada e prateleiras receberam acabamento em laca acetinada azul-clara. “Por sorte, a bicama com almofadões que era de Juliana tinha as medidas certinhas para entrar no espaço”, comemora a arquiteta.

“A ideia inicial para o banheiro da suíte era deixá-lo todo branco, entretanto faltava graça. A fim de levantar o astral, decidimos revestir a parede do fundo do boxe com um mix cerâmico que combinasse com a bancada”, justifica. Os móveis com acabamento acinzentado seguem a mesma proposta.

Na suíte de 12 m² coube closet e penteadeira

A área generosa permitiu a divisão em espaços de dormir e de vestir. Um armário com portas de correr forma um corredor que atua como closet e, do outro lado, tem função de divisória do dormitório. ”Nessa superfície, fixei uma prateleira, reforçando a impressão de que se trata de uma parede”, diz Beatriz.

“A penteadeira foi um dos meus primeiros pedidos. Sempre quis me maquiar em um local com ares de camarim”, revela Juliana. O charmoso cantinho conta com uma bancada dotada de gavetas e espelho redondo com lâmpadas amarelas leitosas.

No quarto, ocupando toda a extensão da parede, a cabeceira segue o alinhamento da prateleira lateral, dando a sensação de continuidade. Ali atrás, há uma iluminação de LED embutida, que se projeta na parede azul ( Brisa do Mar , ref. B347, da Suvinil. Balaroti , galão de 3,6 litros).

Distribuídos livremente por toda a alvenaria em frente à cama, foram aparafusados puxadores redondos que têm o papel de penduradores. “Utilizamos pecinhas brancas, normalmente aplicadas em mobiliário infantil”, conta a arquiteta.

Manta artesanal peruana de alpaca na cor laranja (1,80 x 1,20m) e colcha Line Matelassada de algodão e poliéster (2 x 2,60 m). Lola Home R$ 304,80 e R$ 398, mesa ordem.

matéria publicada na revista Minha Casa em abril de 2015.