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UM PALPITE DE OURO

19/05/2015

Grifes e shoppings premium contratam personal shoppers para mimar os clientes.

A personal Ucha orienta a cliente, Marcela, a encontrar um look para seu aniversário. O primeiro encontro é um café. Pode ser também um chá. Ou algo simpático que garanta uma boa conversa (e uma intimidade rápida ) entre cliente e sua futura “quase amiga” – a personal shopper. Não se trata de uma pessoa encarregada simplesmente de empurrar à freguesa uma sacola de compras contendo sua lista de desejos. Mas de um profissional que vai, criteriosamente, aconselhar sobre o que vestir, para qual ocasião, e se a escolha é compatível como o biótipo, cores, estilos, pessoal e, principalmente, se está dentro do orçamento.

Uma pessoa acima do peso certamente não combina com um vestido, estilo “sequinho”, feito em um crepe encorpado na cor preta, com estampas da nova coleção e que trazia pequenas telas transparentes. Nos pés, botas de cano curto e salto alto grosso.

“É uma festa que terá uma banda de rock n’roll, ela estará elegante para receber, mas bem confortável para dançar. O vestido é justo, mostrando as curvas do corpo, mas não tem decote”, receita. Para contemplar: um bracelete em dourado. Pelo conjunto, a cliente – dona da agência de turismo Guaraná – desembolsou R$12.360,00.

Do total, Ucha não embolsa um centavo sequer. Afinal, é contratada do shopping? Oferecer esse serviço é um jeito de mimar o consumidor e conquistar a tal fidelidade desejada. “Com este diferencial, queremos atender o cliente de forma eficiente e atenciosa, além de estabelecer uma relação de confiança duradora”, afirma Edite Carvalho, superintendente do Cidade Jardim. A demanda por esse chamego tem sido considerável: Ucha atende 20 clientes por mês. E pelo menos 18 fecham a compra. O movimento é maior quando a mudança de estação ou nas semanas que se antecipam ás férias – sempre há algo para a comprar , sobretudo se o destino tiver uma estação diferente da do Brasil.

A Marcela Furlan diz que adotou os serviços de personal já algum tempo, não apenas para ocasiões especiais, como a do seu aniversário, mas também para facilitar a vida corrida de empresária. E mãe. Também a personal stylist e consultora de imagem, Ucha tem um menu de serviços mais amplo, que oferece desde arrumar uma mala de viagem até a mudança total do closet, o que inclui estudar as formas do corpo e cores que mais combinam com sua cliente. Neste caso, cobra por hora ( ela não quis revelar o valor).

Na consultoria de imagem – em geral voltada para executivos em ascensão na carreira –, a profissional, como o próprio nome diz, avalia a imagem da pessoa, dá a dicas de como se vestir, se comportar e até de etiqueta social.

Embora seja mais recente no Brasil, esse trabalho de consultoria e de aconselhamento de compras surgiu há mais de três décadas nos Estados Unidos, quando nem havia um nome específico para classificar essse tipo de atividade e, em geral, o profissional era confundido com consultor de moda. Hoje, muitas empresas contratam esses prestadores de serviço para um upgrade nos seus executivos. Antes de comprar, afinal, é preciso saber se vestir.

matéria publicada no jornal Valor em 7 de maio de 2015 por Chris Martinez.