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WHITNEY MUSEUM ACOMPANHA VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA DE NY

14/05/2015

O Whitney Museum of America Art mudou de endereço, levando junto sua coleção permanente de mais de 22 mil obras, de cerca de 3 mil artistas. Não é noticia sensacional. O Whitney trocou de casa de três vezes desde de sua fundação, em 1931. Todo museu exige mais espaço na medida em que o acervo cresce.

A notícia que ocupa a atenção da mídia é o prédio arrojado de US$ 422 milhões onde o museu se instalou, do arquiteto italiano Renzo Piano. Os críticos de arte ficaram em segundo plano, dando lugar ao debate dos arquitetos. Muita gente brilhante odiou o mamute assimétrico de oito andares e 20.438 m², com estrutura de metal e paredes de vidro, à beira do rio Hudson.

Defensores de Piano alegam que sua primeira obra de arquitetônica de peso , o Centre Pompidou, em Paris (1977), também indignou os tradicionalistas, que protestaram contra aquela estrutura pós-moderna com canos e tubos coloridos externos que substituiu o antigo mercado Les Halles, e que destoava da harmonia estética dos prédios do século XIX do bairro. Em dez anos, o Centre Pompidou, os Beaubourg, já estava totalmente integrado à paisagem.

A segunda notícia importante é o Whitney trocar de bairro. Deu até editorial. A mudança parece acompanhar, sabiamente, a mudança do centro cultural e financeiro da metrópole, que, há cerca de uma década, vem se deslocando para a ponta sul de Manhattan. O Whitney deixou a área onde estão há meio século os principais museus da cidade – Metropolitan, Guggenheim Cooper –Hewit, MoMA etc. – e as moradias dos milionários tradicionais, e veio engajar-se no Meatpacking District, o bairro da moda ligado a dois que jamais cairão da moda West Village e Chelsea. Essa zona está no ápice do valor imobiliário. Ali se concentram galerias, restaurantes sofisticados, clubes noturnos, hotéis, butiques e a nova geração de executivos bem-sucedidos de Wall Street. É também foco de turistas (média de 350 mil por ano) que visitam a High Line, um dos mais ousados projetos urbanísticos de Nova York nos últimos anos: transformação de antiga ferrovia elevada em parque suspenso.

Indiferentes á controversa, os curadores do Whitney se dizem realizados com um edifício que lhes dá quase duas vezes mais espaço que o anterior espaço que o anterior (Madison Avenue com East 75th), d arquiteto Marcel Breuer, igualmente desaprovado na época (1966). Além dos 4.645 m² de área para exposições internas, o novo museu tem 1.207 m² de terraços ao ar livre para esculturas e galerias retangulares espaçosas (a do quinto andar tem 672 m²) sem colunas, de teto altíssimo e inundadas de luz. Piano declarou que as galerias foram inspiradas pela estética dos “lofts” típicos da área (Downtown), com janelões imensos nos dois lados.

O primeiro impacto é a entrada, com vigas em cantiléver, bem embaixo da Hogh Line. Tudo se vê através dos vidros: o rio Hudson, o parque acima e a poderosa estrutura industrial do prédio. A exibição inaugural, “America Is Hard to See”, inclui cerca de 600 obras de 407 artistas, muitos deles mundialmente admirados: Jasper Johns, Andy Warhol (1928-1987), Georgia O’Keeffe (1887-1886), Jackson Pollock (1912-1956), Jeff Konns, Alexander Calder (1898-1976), Willem de Kooning (1904-1997), Richard Serra, Mark Rothko (1903-1970) Edward Hopper (1882-1967) etc.

Essa reinstalação (até 7 de setembro) do acervo do museu de fine de outra a arte e os artistas contemporâneos mais relevantes do século XX. Alguns são estrangeiros cuja carreira foi feita nos EUA e ficou ligada à cultura do país. Outra novidade é a presença forte da mulher (quase um terço) e de afro-americanos. O título se refere ao poema homônio de Robert Frost (1874-1963). Sua metáfora exalta as perspectivas sempre mutáveis do artistas e sua capacidade de desenvolver formas visuais receptíveis às características e valores do país.

Os grupos de curadores da exibração (Carter Foster, Steven e Ann ames, Danna Miller, Scott Rothkopf, Nancy e Steven Crown, Jane Panetta, Catherine Taft e Mia Curran) chefiados por Donna De Salvo, vice-diretora do Whitney, dividiu esses cem anos de arte americana em 23 “capítulos”, ou galerias temáticas estão com objetos ou telas desconhecidos do público e pinturas estão ao lado de fotografias, esculturas e instalações.

matéria publicada no jornal Valor em 13 de maio de 2015.