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SALAS DO BRASIL

13/05/2015

Depois de conhecer todas as edições da Casa Cor 2014, reunimos ideias bacanas encontradas nos livings da mostra, que despertam a vontade de renovar o décor.

Participantes da Casa Cor Rio, os arquitetos Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge viram no generoso pé-direito um ponto a destacar. “Escolhemos móveis baixos, que reforçam a sensação de grande vazio proporcionada pela ampla altura do local”, afirma Fábio. A paleta em gradações de cinza ganha força – nos estofados, três tons se combinam em bases, encostos e almofadas criando a sensação de que esses elementos são complementares.

Casa Cor Rio, Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge. O mesmo modelo da Carbono disposto em três posições define a área de convivência. A estante baixa rege o alinhamento. A poltrona Chifruda, de Sergio Rodrigues (1927-2014), reina absoluta em meio ao mobiliário de linhas sóbrias.

Casa Cor Rio, Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge. O único ponto de cor intensa está na tela grafitada de Marcelo Lamarca, feita especialmente para o local. O canto da poltrona C26 (da Carbono, à venda na Way Design) fica aconchegante graças à luz indireta sob o banco com futon.

Diante do ambiente que se revelava uma grande caixa de vidro, muitos abririam mão de pendurar quadros, já que há pouco espaço para eles. Mas a designer de interiores Paola Ribeiro soube aproveitar a boa altura do living: revestiu de madeira o trecho acima das janelas e nele distribuiu todas as obras que quis. Também fugiu das convenções ao dispor na pilastra central a tela maior, que invadiu um tanto das janelas e por ali ficou, cheia de graça. A proposta foi vista na Casa Cor Rio de Janeiro.

Casa Cor Rio, Paola Ribeiro. Brises que integram. Para dividir os ambientes do loft que projetou, Paola elegeu painéis de madeira móveis e com fechamento de linho.

Uso sem cerimônia.

Criado como sala de jogos, o projeto do mineiro Luis Fabio Rezende de Araújo passa longe de formalidades. “Reservei espaço até para as pessoas se sentarem no tapete durante um jogo de baralho ou gamão”, aponta. Os móveis de design italiano (Natuzzi) destacam-se diante da aparência inacabada do ambiente. “Chapiscamos as paredes e as pintamos com tinta spray branca. A intenção é mostrar que pode haver harmonia entre o simples e o sofisticado”, conclui.

Sensação de espaço.

O bom uso da madeira, característico da obra de Dado Castello Branco, recebe reforço com a dupla de poltronas de Jorge Zalszupin. Sob o estofamento branco, a delicada estrutura das peças se transforma em mais um elemento de contemplação, além da paisagem do Rio de Janeiro. A sala de convivência parece ganhar amplidão graças ao tapete listrado, elemento que concentra todo o mobiliário e deixa claro os limites do espaço.

Madeira em profusão.

A arquiteta Eliane Kruschewsky é recordista em participações na Casa Cor Bahia. Em 2014, ela teve a companhia da filha, Laís, estreante no evento, no desenho deste living repleto de recursos para conquistar acolhimento. Começaram pela estante, que teve o fundo escavado em 30 cm na parede. Assim, os nichos, distribuídos no volume de madeira, avançam menos sobre o sofá. Para repetir no teto a textura da matéria-prima natural, a dupla apostou em papel de parede. “Apesar do uso do tom escuro, conseguimos criar a impressão de que o espaço é maior”, explica Laís.

Muito branco, pouca estampa. O arquiteto Rodrigo Maia tem a receita para a aplicação de padronagens no décor sem erro. Em tecidos e obras de arte, ele casou florais e geométricos com abstratos, todos distribuídos em pequenas doses sobre a base neutra. “Madeira natural e branco criam resultado harmonioso. Acrescentar elementos mais vibrantes a essa combinação é sempre um rico exercício”, avalia. Dessa vez, a maior ousadia ficou a cargo da cortina com motivo de folhagens, que traz cor e tropicalidade ao ambiente e não pesa no conjunto.

Casa Cor Ceará, Rodrigo Maia. Rodrigo Maia expôsna Casa Cor Ceará a prateleira repleta de quadros. Estes ocultam a fiação da Tolomeo com clipe, luminária que destaca o favorito do dia, mas troca de lugar sempre que desejado.

matéria publicada na revista arquitetura e construção em janeiro de 2015.