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DESACELERAÇÃO LEVA INVESTIDORES À CAÇA DE PECHINCHAS IMOBILIÁRIAS NO BRASIL

13/05/2015

Investidores imobiliários globais como Blackstone Group LP, Brookfield Property Partners LP e Global Logistic Properties estão aproveitando as turbulências políticas e a piora da economia para sair à caça de pechinchas no Brasil.

A maioria dos investidores vem evitando o setor diante da queda nos aluguéis e nos níveis de ocupação. Em meio à declaração do crescimento e protestos crescentes contra o governo, as vendas de imóveis no Brasil alcançaram apenas US$584 milhões no ano passado, comparado com US$698,6 milhões em 2013 e US$1,92 bilhão em 2012, segundo a Real Capital Analytics Inc.

Mas a divisão imobiliária da Blackstone realizou duas aquisições no país nos últimos meses: uma participação numa construtora e uma carteira de quatro edifícios de escritórios no Rio de Janeiro. A divisão imobiliária da gestora americana também está, pela primeira vez, abrindo seu próprio escritório no brasil. Ele será chefiando por Marcelo Fedak, que liderava a área imobiliária do banco BTG Pactual.

Enquanto isso, a Global Logistic, que tem sede na Cingapura e comprou um portfólio de 34 imóveis industriais no Brasil por US$1,36 bilhão no ano passado, está comprando áreas para construção de pequenos proprietários com “diz Mauro Dias, presidente da unidade brasileira da Global Logistic.

A Brookfield, por sua vez, concordou em comprar sete edifícios de escritórios como parte de um plano do BTG Pactual de adquirir a fatia que ainda não detém na empresa de imóveis comerciais BR PropertiesSA.

"Entendemos que é um bom momento para comprar", diz Ric Clark, diretor-presidente da área imobiliária da Brookfield.

É certo que muitos investidores se arrependem de investimentos recentes em imóveis que fizeram no Brasil. Ações de empresas imobiliárias de capital aberto, como General Shopping Brasil, JHFS Participações SA e Sonae Sierra Brasil AS, despencaram. Muitas lojas, apartamentos e edifícios de escritórios novos chegando agora ao mercado estão encontrando uma demanda fraca.

Mas investidores que continuam otimistas ressaltam que ciclos de altas e baixas devem ser esperados em mercado emergentes em como o Brasil. Eles também dizem ter confiança na força dos motores que até recentemente alimentaram o forte crescimento econômico do país – inclusive a abundância de recursos naturais e uma classe média em ascensão.

“O país tem uma força central que não mudou apesar dos desafios correntes”, diz Rob Speyer, um dos diretores-presidentes da Tishman Speyer Properties, que por ano 20 anos vem construindo edifícios de apartamentos e escritórios no Brasil.

Speyer diz que a Tishman Speyer "dobrou" sua aposta no Brasil em 2002 em meio a um momento difícil de incerteza política e econômica, decisão que ajudou afirma a se tornar um participante de peso no mercado brasileiro. A Tishman Speyer está adotando uma estratégia semelhante agora: ela comprou recentemente seu primeiro terreno para desenvolvimento em Belo Horizonte, uma vasta área de mineração que dará lugar a um edifício de escritórios.

Matéria publicada no jornal Valor 6 de maio de 2015