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MÓVEIS: PELO RESGATE DO AFETO

12/05/2015

Móveis e objetos que os moradores já possuíam não foram descartados na decoração deste apartamento. São eles que, em harmonia com peças novas, dão alma e personalidade aos espaços deste apê em São Paulo.

O tapete roxo (Phenicia Concept) valoriza a poltrona dos anos 1950. Mesinhas da Oppa e da Conceito Firma Casa.

O imóvel foi escolhido por ficar na cobertura e dispor de terraço com vista para o skyline de São Paulo. Reforma realizada pela Marcondes Ferraz Engenharia.

Variações de cinza tomam conta da sala. As paredes receberam a cor Gelo, da Suvinil, e o piso leva cimento queimado. Sofá da Filter.

Nicholas e Marie são um casal francês que adora o Brasil. Amam de verdade, pois, mesmo com a oportunidade de viver em qualquer lugar do mundo, escolheram ficar aqui. E os dois fazem questão de que esse afeto esteja presente em seu apartamento, reformado e decorado pelo arquiteto René Fernandes Filho. A brasilidade que tanto apreciam pode ser vista no louceiro e na mesa de madeira da sala de jantar – ambos antigos e comprados em Minas Gerais – e nos tropicalíssimos abacaxis que viraram abajur. Essa característica pode ser encontrada até em acessórios mais inesperados. “Quando a arquiteta Adriana Rossi, sócia do René, me mostrou o tecido que reproduz o grafismo das calçadas de São Paulo, não hesitei em comprá-lo para fazer almofadas”, conta Marie. O resultado é que, nesta casa de franceses, há mais detalhes que lembram o Brasil do que muitos de nós, brasileiros, teríamos coragem de usar na decoração. “Não deixamos, entretanto, de expressar costumes de nosso país”, diz a moradora. “Queríamos uma ampla salle des bains, e não apenas um banheiro comum. Ela se tornou o lugar ideal para acomodar lembranças curiosas, como aparelhos de barbear antigos ou uma foto bem-humorada.” Outra exigência: incorporar aos ambientes o jeito cosmopolita da metrópole. O arquiteto trouxe o cinza-claro do céu paulistano ao piso de cimento, aos tecidos e aos tapetes. “O contraste vem da madeira em tonalidade mel, que gera aconchego, e de objetos de cores mais vivas”, explica ele.

Este misto de banco e estante baixa, sob a janela, é um dos lugares preferidos da moradora.

As garças de acrílico do artista plástico Abraham Palatnik (Loja Teo) iluminam-se junto ao vidro.

No tom mel, a bancada de madeira praticamente contorna todo o living e dá origem ao canto de trabalho. Execução da Basile Marcenaria.

O louceiro assim como a mesa e as cadeiras de jantar estão entre as peças que os moradores já possuíam e foram reaproveitadas pelo arquiteto. “Sempre preservo algo do passado na casa. As pessoas precisam reconhecer sua história na decoração”, diz ele.

Deixar livros e objetos queridos à vista também ajuda a criar uma atmosfera afetuosa.

Até as cores da fruteira evocam a brasilidade.

A parede expõe uma composição de quadros antigos do casal. O tapete estampado é da Phenicia Concept.

Para trazer suavidade ao quarto do casal, os azuis predominam na roupa de cama (Trousseau).

Na mesinha lateral, o arranjo de alstroemérias brancas reforça a aura romântica do ambiente.

Duas portas de vidro com película turquesa isolam a área dos vasos sanitários do restante da sala de banho.

O arranjo de quadros no corredor aponta o caminho até a banheira (Vallvé). A bancada abriga coleções queridas dos moradores. Cesto de roupas colorido da Tok & Stok e tapete do Empório Beraldin.

matéria publicada na revista Casa Claudia em janeiro de 2015.