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CASSANDRE

08/05/2015

O Designer gráfico das ruas.

Seus cartazes conversavam as pessoas no local mais democrático, as ruas. Cassandre foi conhecido como profissional de estilo inconfundível com sensibilidade gráfica, influenciando uma geração de designers europeus. Como o escritor francês Blaise Cendrars definiu, “foi o primeiro diretor cenográfico das ruas”.

O cartaz “Normalmente”, feito anos 30 para empresa de transporte marítimo, é um dos mais importantes ícones do design gráfico mundial. Acima de uma grande obra do design publicitário, voltada á persuasão dos inúmeros clientes europeus que buscavam uma vida melhor no continente americano, representa também um momento específico de um mundo entre guerras, quando o art decó reinava absoluto com suas linhas geometrizadas, escalonamentos, degradês e cores intensas.

No ar, havia uma certa contradição entre o moderno e o culto ás máquinas e emotividade de um período no qual a ordem era “apreciar os prazeres terrenos”, expressados também nos objetos desnecessários, na decoração, nas artes gráficas e na arquitetura . Cassandre foi a maior expoente no universo gráfico do art déco. Entretanto, os seus trabalhos extrapolaram as barreiras de um movimento artístico para se tornarem símbolos de uma época.

Adoplh Mouron ou Cassandre [pseudônimo adotado para assinar seus trabalhos ainda na juventude] nasceu na Ucrânia, mas quando tinha 14 anos se mudou para a França com a família, onde estudou na Escola de Belas Artes de Paris. Ainda jovem começou a trabalhar na indústria gráfica “Hachard et Compagnie”. Em 1923 teve reconhecimento com a cartaz intitulado “Au Bucheron”, considerando um de seus melhores trabalhos feitos para a “Hachard”. Este cartaz foi premiado em 1925 , na exposição internacional de Artes Decorativos , que estabeleceu o estilo art decó como o mais importante da primeira metade do século 1920.

Como é característico dos gênios da arte, conseguia reunir diversas habilidades que o faziam um artista único. Sua dimensão criativa sabia eleger e reunir elementos que sintetizam de forma clara e ao mesmo tempo instigante uma ideia. A esta qualidade também podemos acrescentar um profundo conhecimento técnico dos diversos elementos que compunham uma peça gráfica, como desenhos e formas, tudo isso em sintonia com aquilo que considerava fundamental, o respeito pelo cumprimento da função de um cartaz comercial, a persuasão. Segundo sua própria definição, “um cartaz dirigido a alguém apressado, bombardeado por inúmeras imagens de todo tipo, deve provocar surpresa, provocar a sensibilidade e marcar a memória com algo indelével”.

Para ele a pintura era um fim por si mesma, mas um cartaz era apenas um meio. Um meio de comunicação entre o anunciante e o público, semelhante a um telegrama. Por isso mesmo um cartaz não deve ter notícias ou informações detalhadas. Um designer de cartazes desempenha o papel de um operador de telégrafos.

Talvez por isso, o escritor e amigo Blaise Cendrars tenha chamado Cassandre de “o primeiro diretor cênico da rua”. Isso se deve ao fato de que nas ruas europeias do início do século, o cartaz exercia um papel fundamental na comunicação e na construção de mensagens visuais pluralistas.

matéria publicada na revista abc Design em julho, agosto e setembro 2014 por Ericson Straub.