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SÃO PAULO: DEPOIS DE TOMAR O CENTRO, 1 DORMITÓRIO DOMINA ZONA OESTE

08/05/2015

Os apartamentos de até um dormitório, tão comuns no centro da capital, também prevaleceram na zona oeste em 2014, segundo balanço do Secovi. Foram lançados 3.655 unidades na região central, o que representa 72% dos novos imóveis de todas as tipologias, diz o economista chefe do Secovi, Celso Petrocci.

Na zona oeste, a participação chegou a 43% com mais de 3,5 mil móveis. “Até 2011, lançávamos menos de 8% dessa tipologia na capital. Em 2013, foi a 28% e, em 2014, para 34%”, diz ele.

O 1 dormitório atende aos jovens que trabalham nas empresas da zona oeste e nos “jardins corporativos” das avenidas Faria Lima e Luís Carlos Berrini, afirma e diretora de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelle. “O poupador e o investidor também compraram, pensando nesse público que vai usar o produto.”

Quanto aos novos empreendimentos em geral, Mirella prevê redução de lançamentos nesse semestre e acredita que as promoções vão continuar. “Esse estoque de 27 mil unidades representa 15 meses de vedas”, diz, referindo-se à média mensal comercializada em 2014. Para ela, é importante o “cliente enxergar as oportunidades” que existem hoje.

Mais de 80%, porém, dizem que os imóveis estão caros, segundo raio o Raio X Fipezap, estudo trimestral que analisa a demanda do mercado. Entre os que fecharam negócio, 36% afirmam que os preços estão altos e 48% muitos altos. Para quem quer comprar, o índice chega a 88%.

Divulgado em fevereiro, o último estudo com usuários do Zap Imóveis, feito em parceria com a Fipe, indica que baixou para 48% - contra 56% no trimestre anterior – o número de interessados a aquisição. O recuo está ligado à percepção de que os preços podem cair. A parcela que crê nisso subiu de 40% para 44%. Outro dado diz respeito aos investidores, cujo número caiu para 40%, a menor participação na série histórica.

Para o diretor da Embraesp, Luiz Paulo Pompéia, o investidor e o comprador comum perdem interesse porque os juros estão altos, encarecendo a prestação. “O crédito está reduzido e os preços subiram demais”, diz. “Por isso, vemos incorporadores oferecerem descontos de 40%.”

Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em 29 de março de 2015.