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APARTAMENTOS: MIRANTES URBANOS.

30/04/2015

Ter um espaço aberto para contemplar a cidade levou os donos destes cinco apês a escolherem um imóvel com varanda. Integradas ao living ou não, elas trazem frescor com cantos de leitura e áreas gourmet.

As conversas são o aperitivo.

Demorou até a arquiteta Luciana Bulus montar um espaço gourmet no terraço do apartamento onde mora, em São Paulo. “Meus filhos eram pequenos e usavam a área para brincar, então adiei o projeto”, lembra ela, que teve a ajuda da sócia, a arquiteta Anna Gabriela Teixeira, na concepção do ambiente. A espera, contudo, valeu a pena: nesse meio-tempo, o marido de Luciana também descobriu o gosto pela gastronomia, e hoje os dois se revezam entre a churrasqueira e os fogões cooktop (um de indução e o outro com acendedores) instalados no ambiente de 35 m². “Convidamos os amigos e passamos horas batendo papo aqui durante o preparo. Antes, eu vivia isolada na cozinha”, afirma. Ficou tão bom que todos esticam a prosa com o café.

A ilha de preparo e refeições tem duas alturas: o volume de travertino (Amazonas Pedras) mede 95 cm, e o de madeira (Tora Brasil), 75 cm. Jogo americano da Tok & Stok, louça da Tania Bulhões, cadeiras da Etel e quadro da Loja Teo.

Pátio com charme provencial

A proprietária cuidou da parede verde, montada com cachepôs pendurados em ganchos nas ripas.

Pátio com charme provençal.

Ao comprar o apartamento térreo no bairro carioca do Leblon, Edith Farjalla pediu à filha, a designer de interiores Fernanda Pessoa de Queiroz, que assumisse o projeto de reforma e desse atenção especial à área externa de cerca de 20 m². Fernanda criou um pergolado de inspiração provençal e dispôs aqui o canto do hobby da moradora, que pratica pintura em porcelana. Misturando branco a azul, o ambiente se tornou o local mais disputado pelas visitas. “O pessoal adora almoçar nesta mesa. O clima é gostoso, lembra o de uma casa”, conta Edith. Adepta da jardinagem, ela tratou pessoalmente do paisagismo. “Plantei jabuticabeira, samambaia, primavera e jasmim. Quando tudo floresce, o visual fica lindo”, acrescenta.

“Este espaço virou um confortável ateliê de pintura com o sotaque do sul da França e a luz dos trópicos”.

Tecidos (Espaço Multi) com toques de azul cobrem as almofadas e o assento dos bancos. As cadeiras de fibra (Artefacto) foram tingidas de branco por Edith. “Este espaço virou um confortável ateliê de pintura com o sotaque do sul da França e a luz dos trópicos”, conta Edith.

Complemento à paisagem.

“O cenário mais belo está lá fora. Busquei apenas valorizá-lo”, diz a arquiteta Patricia Martinez, que, assim como os moradores, ficou maravilhada com a visão para o Parque Ibirapuera oferecida por este apartamento paulistano. O cartão-postal da metrópole adentra a varanda de 30 m² fechada com vidro (Dorma) e a sala, pois foram removidas as portas entre um ambiente e o outro. A integração, porém, não eliminou o despojamento da área externa, reforçado pela intervenção do arquiteto paisagista Alex Hanazaki – ele disfarçou as colunas do prédio com paredes verdes e acompanhou a decoração com bonsais de feitio escultural. Tudo para tornar ainda mais convidativo o projeto, que não compete com o ilustre vizinho, mas também tem encantos de sobra. A base de acrílico do aparador (Tora Brasil) não interrompe o olhar. Poltrona com pufe da Casual.

“Numa cidade de clima instável como São Paulo, o fechamento garante que a varanda seja usada o ano inteiro”.

O canto de estar tem sofá da Micasa, tapete da By Kamy e banquetas do Empório Beraldin. Persianas (Uniflex) e xales de gaze de linho amenizam a claridade excessiva e trazem aconchego. “Numa cidade de clima instável como São Paulo, o fechamento garante que a varanda seja usada o ano inteiro”, explica Patricia.

“O morador preferiu manter as portas de correr entre sala e varanda, pois acha que elas trazem versatilidade”.

Permaneceram as esquadrias entregues pela construtora, bem como o desnível no piso.“O morador preferiu manter as portas de correr entre sala e varanda, pois acha que elas trazem versatilidade”, explica a arquiteta Adriana Valle.

O balcão no qual se encaixa o frigobar foi executado pela Serpa Marcenaria. Os objetos na estante e sobre a mesa são da Tok & Stok, e os quadros, da Loja Teo.

Jantar temperado pela vista.

Na maior parte do tempo, o proprietário ocupa sozinho este apartamento quando deixa o Rio de Janeiro e vem a São Paulo por motivos profissionais. Mas, em algumas ocasiões, a mulher e os filhos resolvem acompanhá-lo – e aí é na varanda de 18 m² que a turma se reúne para as refeições. “A única mesa da casa está aqui”, explica a arquiteta Adriana Valle, sócia de Patricia Carvalho. Isso porque a dupla não quis tirar espaço de outros ambientes com o móvel (Arquivo Contemporâneo, fornecedor também das cadeiras e do banco). Nem assim o morador quis saber de integração total – preferiu conservar a área externa separada do living com portas de correr. “Ele acha melhor dispor das duas opções. Ora a varanda faz parte da sala, ora não”, diz Adriana.

Verde para humanizar o apê.

Mesmo vivendo no 22º andar, a proprietária conserva hábitos da época em que habitava uma casa. “Não abri mão de ter plantas. Por isso, meu marido e eu não incorporamos a varanda ao living: a vegetação precisa de ar fresco, e não dá para manter as janelas abertas o tempo inteiro na sala”, diz. Sugeridas pelas arquitetas paisagistas Juliana Kallas e Leslie Mardegan, espécies como filodendro-xanadu e camedórea preenchem vasos (L’Oeil) em tom de cobre, que se soma ao cinza predominante no projeto de interiores assinado pelos arquitetos Regina Strumpf e Rogério Gurgel. Na ambientação, destacam- se peças de design contemporâneo focadas no conforto – mais do que necessário. “Fico horas brincando com meu neto no sofá”, conta a moradora. O sofá é da Kettal (Atrium) e, no carrinho, vaso de Gilberto Paim (Olho Interni) e cachepô de madeira da Etel. “Deixei de viver numa casa, mas sigo com a possibilidade de admirar o pôr do sol e ter contato diário com a natureza”, conta a moradora.

“Deixei de viver numa casa, mas sigo com a possibilidade de admirar o pôr do sol e ter contato diário com a natureza”.

Cadeiras Softshell, da Vitra (Micasa), esperam os convidados na área gourmet. Tela de Markus Linnenbrink (Galeria Nara Roesler).

Matéria publicada na revista Casa Claudia em fevereiro de 2015.